Pediatras alertam para riscos das canetas emagrecedoras em crianças e adolescentes

Uso de medicamentos agonistas de GLP-1 sem indicação e acompanhamento médico pode causar efeitos adversos e comprometer o crescimento e o desenvolvimento.

Foto: © Marcello Casal jr/Agência Brasil.

O uso indiscriminado de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes motivou um alerta da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A entidade reforça que medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 devem ser utilizados somente quando houver indicação e acompanhamento médico.

Segundo a SBP, o uso inadequado pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos. Entre os riscos estão déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e alterações na vesícula.

A entidade também chama atenção para o uso desses medicamentos com finalidade exclusivamente estética. Segundo o alerta, a busca pela modificação da aparência corporal pode contribuir para o surgimento de transtornos alimentares, além de ansiedade e problemas relacionados à imagem corporal.

A recomendação também é evitar produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Uso exige avaliação médica

Os medicamentos têm indicações específicas, como o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mesmo nesses casos, porém, a prescrição não é automática.

Antes de iniciar o tratamento, o médico deve considerar a gravidade da doença, possíveis comorbidades, riscos, tratamentos anteriores, capacidade de acompanhamento e as expectativas do paciente e da família.

A SBP recomenda ainda a utilização da expressão medicamentos para tratamento da obesidade, em substituição ao termo popular “canetas emagrecedoras”. Segundo a entidade, a nomenclatura ajuda a reforçar que a obesidade é uma doença crônica e que o objetivo do tratamento deve estar relacionado à saúde e à qualidade de vida.

Eventos adversos mais comuns

Os efeitos adversos mais frequentes são gastrointestinais, especialmente durante o período de ajuste da dose. Entre eles estão:

- Náuseas;

- Vômitos;

- Refluxo;

- Azia;

- Diarreia;

- Constipação.

A perda de massa magra também exige atenção e acompanhamento profissional. Entre os eventos potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase.

A entidade destaca que os medicamentos podem apresentar eficácia e segurança em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios científicos, com indicação adequada e associados a mudanças no estilo de vida.

Contraindicações

O uso é contraindicado em pessoas com hipersensibilidade aos componentes da fórmula, gestantes, lactantes e pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Casos de pancreatite prévia exigem avaliação médica individualizada antes da definição da conduta. O alerta reforça que a utilização desses medicamentos em crianças e adolescentes deve ocorrer de forma responsável, evitando a automedicação e o uso motivado apenas por padrões estéticos.

Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) / agência Brasil

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