Uma vacina personalizada contra o melanoma, desenvolvida pela Moderna e pela Merck, apresentou resultados promissores na redução do risco de retorno e disseminação do câncer de pele após cirurgia. Os dados preliminares do primeiro estudo de fase 3 da tecnologia foram divulgados pelas empresas na quarta-feira (19).
O tratamento, chamado intismeran autogene, é produzido individualmente a partir das características genéticas do tumor de cada paciente. A estratégia foi avaliada em combinação com o Keytruda (pembrolizumabe), imunoterápico já utilizado contra o melanoma.
A tecnologia utiliza uma amostra do tumor para identificar mutações específicas. Com base nesse sequenciamento, é produzida uma vacina de RNA mensageiro (mRNA) capaz de apresentar ao sistema imunológico até 34 alvos, conhecidos como neoantígenos.
A intenção é estimular as defesas do organismo a reconhecer e atacar células tumorais que possam permanecer após a retirada do câncer.
O Keytruda atua de maneira complementar, bloqueando a proteína PD-1, mecanismo usado pelas células tumorais para escapar da resposta imunológica. A combinação busca, assim, direcionar e fortalecer a ação do sistema de defesa contra o câncer.
O ensaio de fase 3 envolveu 1.137 pessoas com melanoma cutâneo que haviam passado por cirurgia e apresentavam risco elevado de recidiva. Aproximadamente dois terços receberam a vacina personalizada junto com o Keytruda, enquanto os demais foram tratados apenas com o imunoterápico.
Na análise preliminar, o grupo que recebeu a combinação apresentou resultados estatisticamente superiores nos dois principais objetivos avaliados: tempo livre de recorrência e tempo livre de metástase à distância.
Apesar dos resultados, os dados ainda são preliminares. O estudo continua em andamento e as informações completas ainda não foram publicadas em uma revista científica. As empresas também não divulgaram, nesta análise, os percentuais exatos de redução de risco.
A plataforma de vacinas personalizadas de mRNA também está sendo investigada contra outros tipos de câncer, incluindo tumores de pulmão, bexiga e rim. Estudos iniciais avaliam ainda possíveis aplicações em câncer de pâncreas e estômago.
A tecnologia utiliza a mesma plataforma de RNA mensageiro empregada pela Moderna em sua vacina contra a Covid-19, adaptada para identificar características específicas de cada tumor.
Embora os resultados obtidos até agora sejam considerados promissores, o tratamento permanece experimental. A conclusão do estudo e a divulgação dos dados completos serão fundamentais para determinar a dimensão dos benefícios, a segurança de longo prazo e a possibilidade de aplicação da estratégia na prática clínica.
Fontes: Moderna, Merck e dados do estudo clínico de fase 3
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