Quase metade dos trabalhadores recorre a empréstimos ou renda extra para pagar contas

Pesquisa aponta que 47% precisam de crédito, bicos ou horas extras para fechar o mês; pressão financeira também afeta saúde e produtividade.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil.

A dificuldade para equilibrar o orçamento tem levado 47% dos trabalhadores brasileiros a recorrerem a empréstimos, trabalhos extras ou outras fontes de renda para pagar as despesas básicas. O dado é da Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores, realizada pela Serasa Experian com 1.008 profissionais dos regimes CLT e PJ.

O levantamento, realizado entre 12 e 30 de junho, mostra ainda que 6% dos entrevistados chegam ao fim do mês sem dinheiro suficiente e sem alternativa para complementar a renda.

A alimentação aparece como a principal despesa para 78% dos entrevistados. Na sequência estão as contas de água, luz e gás, citadas por 72%. Financiamentos de imóveis e veículos comprometem a renda de 44%, enquanto roupas e utilidades representam gastos para 43%.

Empréstimos anteriores pesam no orçamento de 33% dos trabalhadores, e despesas com estudos são mencionadas por 22%.

Na Bahia, o cenário também é marcado pelo endividamento. Segundo dados citados no levantamento, o estado possui 5,23 milhões de pessoas inadimplentes. A taxa de informalidade chega a 52,8%, conforme a Pnad Contínua.

As dificuldades financeiras também refletem na rotina profissional. Segundo a pesquisa, 51% dos trabalhadores relatam estresse durante o expediente por causa de problemas financeiros, enquanto 46% afirmam sentir exaustão e cansaço físico.

A situação também pode comprometer a produtividade: 35% relatam dificuldade de concentração, 33% percebem queda no rendimento, 26% ficam mais irritados com colegas e 5% afirmam faltar ao trabalho.

Entre aqueles que enfrentaram problemas financeiros nos últimos cinco anos, 44% relatam insônia e outros 44% mencionam irritabilidade no ambiente familiar. O estudo também identificou relatos de dores físicas, alterações de peso, depressão e redução da convivência social.

A pesquisa destaca ainda a importância de iniciativas empresariais voltadas à saúde financeira e ao bem-estar dos funcionários. A atualização da NR-1 inclui a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, ampliando a atenção das empresas para fatores que podem afetar a saúde dos trabalhadores.

Entre as medidas apontadas estão programas de educação financeira, ações de saúde e alternativas de crédito com condições mais acessíveis.

Com margem de erro de 3,1 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%, o levantamento reforça que o desequilíbrio financeiro ultrapassa o orçamento doméstico e pode atingir também a saúde e o desempenho profissional.

Fontes: Serasa Experian e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua/IBGE)

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