Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou resultados promissores no uso de células-tronco da mucosa olfatória para auxiliar na recuperação de lesões na medula espinhal. O estudo, realizado com ratos, aponta que essas células podem favorecer processos relacionados à regeneração de tecidos neurológicos, mas ainda são necessários novos testes antes de qualquer aplicação clínica.
O experimento acompanhou 60 ratos durante seis semanas, distribuídos em cinco grupos, incluindo animais de controle e outros submetidos a diferentes procedimentos e tratamentos.
Os resultados mais expressivos foram observados no grupo que recebeu células ectomesenquimais associadas aos demais procedimentos. Segundo os pesquisadores, os animais voltaram a caminhar a partir da terceira semana, indicando recuperação da função motora após a lesão.
Como as células podem atuar
Os pesquisadores observaram que as células-tronco não precisam necessariamente substituir o tecido danificado. Uma das hipóteses é que elas contribuam para a regeneração ao recrutar células e liberar substâncias capazes de favorecer a recuperação dos neurônios na região lesionada.
O estudo, desenvolvido na Faculdade de Medicina da USP, reforça o potencial de novas estratégias para tratar lesões da medula espinhal. Apesar dos resultados positivos, os próprios pesquisadores destacam que a recuperação neurológica ainda foi limitada e que o mecanismo de ação precisa ser melhor compreendido.
A possibilidade de utilizar essa abordagem em pessoas ainda está distante. Novas pesquisas deverão investigar os mecanismos moleculares envolvidos e formas de transformar a estratégia experimental em possíveis tratamentos, inclusive por meio do desenvolvimento de terapias farmacológicas.
Fontes: Universidade de São Paulo (USP); Faculdade de Medicina da USP
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