Melatonina funciona para insônia? Veja quando o suplemento pode ajudar

Hormônio regula o relógio biológico, mas não é sedativo e pode ter efeito limitado em casos de insônia crônica.

Foto: MAYA LAB | Shutterstock.

A melatonina ganhou popularidade entre pessoas que têm dificuldades para dormir, mas o suplemento não funciona como um simples “remédio para dormir”. O hormônio pode ajudar em situações específicas relacionadas ao ritmo biológico, enquanto casos de insônia persistente exigem avaliação da causa e tratamento adequado.

Produzida naturalmente pela glândula pineal, a melatonina sinaliza ao organismo que é hora de iniciar o período de sono. Sua produção aumenta à noite, na ausência de luz, e diminui próximo ao amanhecer. Nos suplementos, a substância é quimicamente semelhante à produzida pelo corpo, mas seu uso não reproduz necessariamente o processo natural.

Segundo o otorrinolaringologista Nilson André Maeda, especialista em distúrbios do sono do Hospital Paulista, a melatonina pode ser mais útil em alterações do ritmo circadiano, como síndrome da fase atrasada do sono, jet lag e trabalho noturno. Também pode ser considerada em alguns casos envolvendo idosos e pessoas com transtorno do espectro autista ou TDAH.

Para quem enfrenta insônia crônica, especialmente relacionada a estresse e ansiedade, os resultados podem ser limitados. Nesses casos, a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é considerada uma das principais abordagens de tratamento.

Embora geralmente apresente boa tolerabilidade, a melatonina pode causar sonolência diurna, tontura, dor de cabeça e náuseas. O suplemento também pode interagir com álcool, benzodiazepínicos e alguns antidepressivos. Crianças, gestantes e lactantes devem utilizar a substância somente com orientação profissional.

Outro cuidado é evitar a ideia de que doses maiores produzem melhores resultados. A orientação apresentada pelo especialista é priorizar a menor dose eficaz, geralmente entre 0,5 mg e 3 mg, considerando também o horário adequado para cada ritmo circadiano.

Mais do que recorrer ao suplemento por conta própria, especialistas recomendam manter horários regulares de sono, adotar hábitos saudáveis e investigar a causa das dificuldades para dormir. Quando o problema é persistente, a avaliação de um profissional de saúde pode indicar o tratamento mais adequado.

Fonte: Hospital Paulista / informações do especialista Nilson André Maeda

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