Pão de sal fica mais caro com alta da farinha de trigo; reajuste pode chegar a 4%

Alta do trigo entre 12% e 15% em 2026 pressiona padarias e moinhos, que tentam absorver parte dos custos para evitar maior impacto ao consumidor.

Foto: Freepik / Magnific.

O aumento no preço da farinha de trigo já começa a pressionar o valor do pão de sal, também conhecido como pão francês, nas padarias brasileiras. Com a matéria-prima mais cara, estabelecimentos têm reduzido suas margens para conter os repasses ao consumidor e preservar as vendas.

O trigo acumula alta estimada entre 12% e 15% neste ano, enquanto em períodos considerados normais os reajustes costumam ficar próximos de 5%. Nas padarias, a farinha representa entre 20% e 30% dos custos, dependendo dos produtos comercializados.

Apesar da pressão, a expectativa é que o aumento do pão francês fique limitado a cerca de 4%, enquanto produtos menos essenciais, como outros tipos de pães, bolos e itens de confeitaria, podem concentrar uma parcela maior dos reajustes.

O pão de sal é considerado um dos principais produtos de atração das padarias. Por isso, manter seu preço sob controle é uma estratégia para preservar o fluxo de clientes e estimular o consumo de outros produtos.

Moinhos também enfrentam aumento dos custos

A pressão sobre os preços começa antes da chegada da farinha às padarias. Os moinhos também têm encontrado dificuldades para repassar integralmente o aumento do custo do trigo, além de enfrentarem incertezas relacionadas à oferta e à qualidade do cereal na próxima safra.

Parte das empresas tem adotado medidas para preservar as margens, como redução das metas de moagem e do volume comercializado. A estratégia busca evitar vendas que não sejam suficientes para cobrir os custos da matéria-prima.

As negociações entre moinhos e compradores também dificultam novos repasses. Em alguns casos, reajustes pretendidos não foram aceitos pelo mercado, aumentando a pressão sobre as empresas do setor.

Outro fator de preocupação é a redução da área destinada ao cultivo de trigo no Brasil, somada às condições climáticas no Rio Grande do Sul. A qualidade do trigo argentino, importante fornecedor do mercado brasileiro, também é acompanhada de perto pela indústria.

Além da quantidade disponível, os moinhos precisam avaliar as características do cereal para produzir diferentes tipos de farinha. Essa seleção é importante porque cada produto de panificação exige matérias-primas com propriedades específicas.

A expectativa é que o cenário da próxima safra fique mais claro após a colheita e o armazenamento do trigo. Até lá, a incerteza sobre oferta, qualidade e custos deve continuar influenciando os preços da farinha e, consequentemente, dos produtos vendidos nas padarias.

Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip); Sindicato da Indústria do Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo-PR).

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