Infecções causadas por bactérias multirresistentes podem aumentar em até 3,6 vezes os gastos com pacientes internados em UTIs, segundo dados do projeto Impacto MR, financiado pelo Ministério da Saúde. A pesquisa acompanha hospitais públicos e privados do Brasil e avalia os efeitos clínicos e econômicos da resistência aos antimicrobianos.
O estudo mostra que pacientes que desenvolvem infecções por superbactérias durante a internação apresentam custos médios muito superiores aos daqueles que não sofrem com esse tipo de complicação.
Apesar dos avanços, o Brasil ainda não possui uma estimativa nacional sobre o impacto financeiro dessas infecções no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a economista da saúde Isabela Lott Bezerra, do Hospital Israelita Albert Einstein, a principal dificuldade está na falta de integração entre diferentes bases de dados.
A pesquisadora explica que a análise dos custos exige identificar não apenas a diferença entre pacientes infectados e não infectados, mas também quais despesas adicionais foram diretamente causadas pela infecção.
O projeto Impacto MR acompanha pacientes em 50 UTIs brasileiras e investiga principalmente infecções associadas ao uso de dispositivos hospitalares, como cateteres e ventilação mecânica.
Os resultados reforçam que a prevenção é uma das principais estratégias para reduzir gastos e salvar vidas. Para especialistas, medidas de controle de infecções hospitalares e uso adequado de antimicrobianos são fundamentais para conter o avanço das bactérias resistentes.
O envelhecimento da população também aumenta o desafio para o sistema de saúde, já que pessoas mais idosas tendem a apresentar maior vulnerabilidade a internações prolongadas e procedimentos médicos, fatores que podem favorecer infecções resistentes.
O Brasil faz parte das ações globais de enfrentamento à resistência aos antimicrobianos coordenadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pesquisadores defendem a ampliação de estudos e políticas públicas para evitar que o problema se torne ainda mais difícil de controlar.
O avanço das superbactérias representa um desafio crescente para a saúde pública. Além de aumentar custos hospitalares, as infecções resistentes podem agravar o quadro clínico dos pacientes, tornando essenciais investimentos em prevenção, pesquisa e estratégias de controle dentro do SUS.
Fonte: Ministério da Saúde / Projeto Impacto MR / Hospital Israelita Albert Einstein
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