O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou 82% em julho, o maior índice já registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar do avanço do endividamento, a inadimplência recuou para 29,8%, indicando uma leve melhora na capacidade de pagamento.
Segundo a pesquisa, o cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento, utilizado por 85,3% das famílias endividadas. Em média, os brasileiros comprometem 29,5% da renda com dívidas, que permanecem por cerca de 7,2 meses no orçamento doméstico.
O levantamento também mostra que o problema é mais intenso entre famílias com renda de até três salários mínimos, onde 84,9% possuem dívidas e 38,5% enfrentam atrasos nos pagamentos. Entre os lares com renda acima de dez salários mínimos, o índice de inadimplência cai para 15,1%.
Divulgada um dia após a redução da taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano, a pesquisa aponta que a queda dos juros pode favorecer futuras renegociações de crédito. No entanto, especialistas da CNC avaliam que os efeitos serão graduais, já que o elevado comprometimento da renda ainda limita a recuperação do consumo.
A expectativa da CNC é que o endividamento continue avançando nos próximos meses, podendo atingir 82,6% em setembro. A inadimplência também deve registrar leve alta, chegando a 30,3%, reforçando a necessidade de planejamento financeiro diante do cenário econômico.
Fonte: Agência Brasil / Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)
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