Estigma sobre HIV pode causar 440 mil mortes evitáveis até 2030, alerta pesquisa

Estudo aponta que preconceito e desinformação dificultam testagem, tratamento e prevenção, mesmo diante dos avanços da medicina.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil.

O preconceito e a desinformação sobre o HIV continuam sendo um dos maiores desafios no combate à doença. Segundo levantamento da iniciativa internacional Tackle HIV, o estigma social pode provocar cerca de 440 mil mortes evitáveis nesta década ao afastar pessoas da testagem e do tratamento.

De acordo com a pesquisa, o medo da discriminação faz com que muitas pessoas deixem de realizar o teste ou iniciem o tratamento tardiamente, apesar dos avanços científicos que permitem qualidade de vida e controle da infecção.

No Brasil, o estudo revela que ainda há grande desinformação. Entre os entrevistados, 36% acreditam que homens heterossexuais não correm risco de contrair HIV, enquanto 37% pensam o mesmo em relação às mulheres heterossexuais. Além disso, apenas 48% afirmaram já ter realizado o teste para HIV, e muitos dos que nunca fizeram disseram não se considerar em risco.

Outro dado preocupante é que 19% dos participantes acreditam que pessoas vivendo com HIV não podem manter vida sexual ativa, enquanto apenas 29% sabem que quem está em tratamento eficaz e com carga viral indetectável não transmite o vírus por via sexual.

Segundo o Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, o Brasil registrou 39.216 novos casos de infecção por HIV, com maior concentração na Região Sudeste. Embora as infecções e mortes relacionadas à Aids tenham atingido os menores níveis globais em 2025, alguns países, incluindo o Brasil, registraram aumento de casos.

O país já alcançou importantes metas estabelecidas pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), como 95% das pessoas vivendo com HIV conhecerem seu diagnóstico e 95% das pessoas em tratamento apresentarem carga viral suprimida. O governo também estuda incorporar ao SUS a PrEP injetável, método preventivo com proteção de até seis meses.

Especialistas reforçam que o combate ao preconceito, aliado à ampliação da testagem, do acesso ao tratamento e à informação de qualidade, é essencial para reduzir novas infecções e evitar mortes relacionadas ao HIV nos próximos anos.

Fonte: Agência Brasil, Tackle HIV e Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025

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