Um grupo de estudantes da Universidade de Passo Fundo (UPF) desenvolveu uma caneta adaptada para apoiar a alfabetização e o desenvolvimento da escrita de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Fabricado por impressão 3D, o equipamento melhora a empunhadura, oferece mais estabilidade durante a escrita e tem custo de produção entre R$ 10 e R$ 20, cerca de 85% inferior ao de modelos comercializados no mercado.
O projeto foi criado no primeiro semestre de 2026 por alunos do Curso Superior de Tecnologia em Automação Industrial, dentro da disciplina de Extensão em Automação Industrial. A iniciativa nasceu da experiência de um dos estudantes, pai de uma criança com TEA, motivando a turma a desenvolver uma solução acessível para facilitar o aprendizado.
Segundo o professor Leandro Dóro Tagliari, responsável pela disciplina, o objetivo foi criar um recurso com impacto direto no processo de alfabetização. A caneta auxilia crianças que apresentam dificuldades de coordenação motora fina, força e controle das mãos, desafios frequentes entre pessoas com autismo.
Durante o desenvolvimento, os acadêmicos participaram de todas as etapas do projeto, desde a análise de modelos existentes até a modelagem, escolha dos materiais, impressão dos protótipos e avaliação dos custos. Entre os materiais utilizados estão PLA, PETG, Nylon e PU, produzidos por meio da tecnologia de manufatura aditiva.
Os primeiros protótipos foram entregues à Secretaria de Educação de Veranópolis (RS), onde passaram por testes com 38 estudantes, com idades entre 6 e 14 anos, atendidos pela rede municipal. De acordo com a coordenação de Educação Especial e Inclusão, o recurso contribui para uma preensão mais segura, reduz o esforço motor, aumenta a concentração e fortalece a autonomia e a autoestima dos alunos.
Com baixo custo de fabricação e possibilidade de reprodução em impressão 3D, a caneta adaptada surge como uma alternativa para ampliar o acesso à tecnologia assistiva nas escolas, favorecendo práticas pedagógicas mais inclusivas e contribuindo para o desenvolvimento da escrita de crianças com TEA.
Fonte: Universidade de Passo Fundo (UPF)
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