Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma tecnologia capaz de identificar a origem exata da madeira extraída na Amazônia por meio de uma espécie de "impressão digital" química. A inovação permite verificar se a carga corresponde ao local informado nos documentos, reforçando o combate ao desmatamento ilegal e às fraudes no comércio de produtos florestais.
O estudo, realizado pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), foi divulgado pela Agência Fapesp e publicado na revista científica Molecules. A ferramenta já auxilia perícias ambientais e investigações da Polícia Federal, ampliando a capacidade de fiscalização em rodovias, portos e centros de distribuição.
A metodologia analisa isótopos estáveis presentes na celulose da madeira, como carbono, oxigênio, nitrogênio e estrôncio. Esses elementos formam uma assinatura química única, influenciada por fatores como clima, solo, altitude e regime de chuvas, permitindo identificar a região onde a árvore foi derrubada, mesmo diante de documentos adulterados.
Com apoio de inteligência artificial e aprendizado de máquina, os pesquisadores criaram um mapa isotópico da Amazônia a partir de cerca de 800 amostras coletadas em 63 localidades. A tecnologia fortalece o trabalho de fiscalização, aumenta a segurança na rastreabilidade da madeira e contribui para o combate ao crime ambiental e para a preservação da floresta.
Fonte: Universidade de São Paulo (USP), Agência Fapesp e revista científica Molecules
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