Dor crônica pode influenciar diagnóstico de depressão resistente, apontam especialistas

Estudo publicado na Nature Mental Health defende que a avaliação sistemática da dor pode tornar o tratamento da depressão mais preciso e eficaz.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A dor crônica pode estar por trás de parte dos casos classificados como depressão resistente ao tratamento, segundo especialistas em artigo publicado na revista Nature Mental Health. Os pesquisadores afirmam que a ausência de uma avaliação padronizada da dor pode comprometer o diagnóstico e dificultar a escolha da melhor estratégia terapêutica, sem que isso signifique falha dos antidepressivos.

De acordo com o médico e pesquisador Nilson Mendes Neto, da Harvard Medical School, os critérios atuais para definir depressão resistente consideram principalmente a falta de resposta aos medicamentos, mas não incluem a intensidade, duração e o impacto funcional da dor. Além disso, escalas amplamente utilizadas na prática clínica não avaliam esse aspecto de forma específica.

Os autores esclarecem que não defendem a interrupção ou mudança da medicação. A proposta é incorporar a mensuração da dor à avaliação clínica, já que, em alguns pacientes, condições dolorosas não identificadas podem contribuir para a persistência dos sintomas depressivos e reduzir a eficácia do tratamento.

Impactos para o SUS

No Sistema Único de Saúde (SUS), a adoção de protocolos simples para rastrear dor em pacientes com depressão poderia melhorar a precisão dos diagnósticos, especialmente na atenção primária, nos ambulatórios de saúde mental e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A medida também favoreceria a integração entre o atendimento em saúde mental e o tratamento de doenças como lombalgia, fibromialgia, osteoartrite e neuropatias.

Os pesquisadores destacam que avaliar a dor antes de indicar terapias mais complexas pode aumentar a eficiência do cuidado, permitindo que fatores potencialmente tratáveis sejam identificados previamente. O artigo também é assinado por Brendon Stubbs, do King's College London, e Jessika Mendes, da NeuroPsy.

Fonte: Agência Brasil / Nature Mental Health

Entre no nosso canal de WhatsApp e receba notícias em tempo real, Clique aqui

Inscreva-se em nosso canal no Youtube, Clique aqui

 

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar