PEC da autonomia do Banco Central muda regras das reservas internacionais

Proposta permite que parte dos lucros das reservas cambiais seja retida pelo BC antes da transferência ao Tesouro Nacional.

Foto: Magnific.

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central, altera as regras sobre os lucros das reservas internacionais do Brasil e cria uma reserva patrimonial antes do repasse ao Tesouro Nacional.

Em debate no Senado, a PEC 65/2023 prevê mudanças na gestão financeira do Banco Central, incluindo a criação de uma reserva de resultado formada com parcela dos ganhos obtidos pelas reservas internacionais. A medida busca fortalecer o patrimônio da instituição e ampliar sua autonomia administrativa e financeira.

Atualmente, os lucros das reservas cambiais são destinados ao Tesouro Nacional para amortização da dívida pública federal. Com a proposta, parte desses recursos poderá permanecer no Banco Central para cobrir eventuais perdas futuras.

O que muda nas reservas

As reservas internacionais, estimadas em US$ 369,45 bilhões, continuam com a função de proteger o real contra oscilações cambiais. No entanto, a PEC altera o tratamento contábil dos rendimentos desses ativos.

Pelo texto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o Banco Central poderá constituir uma reserva patrimonial com parte dos lucros das reservas antes de transferir o excedente ao Tesouro. O percentual dessa retenção ainda será definido por regulamentação posterior.

Autonomia ampliada

A proposta também transforma o Banco Central em uma empresa pública independente, com recursos próprios e autonomia administrativa, patrimonial, financeira e contábil. A instituição deixaria de ser vinculada ao Ministério da Fazenda.

O modelo aproxima a governança do BC de sistemas adotados em países como Estados Unidos e Chile, onde bancos centrais podem reter parte de seus resultados para preservar seu patrimônio institucional.

A PEC 65/2023 já foi aprovada na CCJ do Senado e aguarda votação em dois turnos no plenário da Casa. Se aprovada, seguirá para análise da Câmara dos Deputados.

Fonte: Senado Federal / Agência Senado

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