Muitas mulheres chegam aos 40 anos sem saber que convivem com a Endometriose há décadas. A doença pode permanecer sem diagnóstico por muito tempo, já que sintomas como dor menstrual intensa são frequentemente minimizados ou associados ao ciclo menstrual normal.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir órgãos pélvicos e causar dor crônica, infertilidade e alterações intestinais e urinárias. No Brasil, a condição afeta cerca de 10% das pessoas que menstruam, o equivalente a aproximadamente 8 milhões de mulheres.
Segundo o ginecologista e obstetra Marcos Tcherniakovsky, diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose, a doença não está restrita à juventude.
“Não é raro encontrarmos pacientes que passaram anos tratando apenas a dor, sem investigar sua causa”, afirma o especialista.
Por que o diagnóstico demora?
O atraso no diagnóstico é um dos principais desafios no combate à endometriose. Além de prolongar o sofrimento, a falta de tratamento pode permitir a progressão da doença, comprometendo a qualidade de vida, a rotina profissional, os relacionamentos e, em alguns casos, a fertilidade.
Outro fator apontado pela Sociedade Brasileira de Endometriose é a mudança no perfil reprodutivo das mulheres. Atualmente, o número de ciclos menstruais ao longo da vida é muito maior do que no início do século XX, o que pode aumentar a exposição hormonal e favorecer a progressão da doença.
A importância do diagnóstico precoce
O tratamento da endometriose varia conforme a extensão da doença e pode incluir controle hormonal, mudanças no estilo de vida, acompanhamento clínico e cirurgia, quando necessário.
Para os especialistas, identificar a doença precocemente é fundamental para controlar os sintomas, reduzir complicações e preservar a fertilidade, especialmente para mulheres que desejam engravidar no futuro.
O acompanhamento ginecológico regular e a investigação de dores menstruais intensas são essenciais para evitar que a endometriose permaneça sem diagnóstico por muitos anos.
Fonte: Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE)
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