Brasil registra recorde de testamentos, mas documento não garante fim de disputas por herança

Especialista destaca que o planejamento sucessório deve incluir diálogo sobre expectativas, sentimentos e relações familiares.

Foto: Reprodção/Freepik.

O aumento do número de brasileiros que organizam a divisão do patrimônio antes da morte revela uma maior preocupação com o planejamento sucessório. Em 2025, foram registrados 38.740 testamentos no país, o maior volume da série histórica, segundo levantamento do Colégio Notarial do Brasil.

Apesar do crescimento, especialistas alertam que o testamento não resolve, sozinho, os conflitos emocionais que frequentemente estão na origem das disputas por herança.

Segundo a especialista em saúde mental e comportamento humano Flávia Lippi, o patrimônio muitas vezes representa mais do que bens materiais, envolvendo reconhecimento, pertencimento e vínculos afetivos.

“O aumento dos testamentos mostra que mais pessoas estão pensando na organização do patrimônio. Isso é positivo. Mas o planejamento sucessório também precisa incluir conversas sobre expectativas, sentimentos e relações familiares”, afirma.

Herança vai além do valor financeiro

As reflexões fazem parte do livro Nunca é só por dinheiro, publicado pela Matrix Editora. Na obra, a autora mostra que disputas por herança costumam ter origem em conflitos familiares construídos ao longo da vida.

De acordo com Flávia, objetos como fotografias, cartas, utensílios domésticos e lembranças de família podem carregar significados afetivos que ultrapassam qualquer valor patrimonial.

“A maioria das disputas por herança nunca foi apenas sobre dinheiro. Os bens acabam representando histórias, feridas, reconhecimento e até o desejo de ocupar um lugar dentro da família”, explica.

Envelhecimento reforça importância do tema

O debate sobre sucessão patrimonial tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Dados da PNAD Contínua do IBGE mostram que a população brasileira está envelhecendo: entre 2012 e 2025, a participação de pessoas com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 16,6%.

Para especialistas, esse cenário reforça a necessidade de ampliar o planejamento sucessório não apenas do ponto de vista jurídico, mas também por meio do diálogo entre familiares, como forma de reduzir conflitos e preservar relações após a perda de um ente querido.

Fonte: Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF), IBGE e Matrix Editora

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