Bahia realiza primeira telecirurgia robótica de longa distância do Brasil

Procedimento minimamente invasivo retirou tumor no rim de paciente a mais de 2.300 km e pode ampliar o acesso à medicina especializada.

Foto: Shirley Stolze / Ag. A tarde.

A operação, considerada a primeira do tipo na rede privada brasileira, foi uma nefrectomia parcial para retirada de um tumor renal. O paciente, de 56 anos, estava em Campo Grande, enquanto o cirurgião controlava o robô remotamente a partir de Salvador.

O procedimento foi conduzido pelo urologista e cirurgião robótico Nilo Jorge Leão, no Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (Iart). Em Mato Grosso do Sul, uma equipe médica de apoio acompanhou toda a cirurgia e auxiliou em etapas específicas quando necessário.

Tecnologia e precisão

A telecirurgia utilizou internet via satélite e registrou uma latência de apenas 0,05 milissegundo, índice considerado seguro para esse tipo de operação. A nefrectomia parcial remove apenas a área do rim afetada pelo tumor, preservando o restante do órgão e sua função.

Segundo o especialista, a tecnologia representa um avanço que pode, no futuro, democratizar o acesso a procedimentos de alta complexidade, especialmente para pacientes que vivem longe dos grandes centros urbanos.

Perspectiva para o SUS

Apesar do alto custo ainda limitar a telecirurgia principalmente ao setor privado, especialistas defendem que a inovação seja analisada pelos gestores públicos para possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Com mais de 2 mil cirurgias robóticas realizadas, Nilo Jorge Leão afirmou que a consolidação da telecirurgia pode permitir que pacientes recebam atendimento especializado independentemente de sua localização, reduzindo desigualdades no acesso à saúde.

Fontes: Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento (Iart) e Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR)

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