Pesquisa identifica variedades de cacau mais resistentes à vassoura-de-bruxa na Amazônia

Estudo aponta clones com produtividade até 32% maior e potencial para reduzir o uso de fungicidas nas lavouras.

Foto: Shutterstock.

Uma pesquisa desenvolvida por cientistas brasileiros trouxe avanços para o combate à vassoura-de-bruxa, doença que há décadas afeta a produção de cacau no país. O estudo identificou variedades mais resistentes ao fungo e com capacidade de produzir até 32% mais, mesmo em condições de solo com baixa fertilidade e elevada pressão da doença.

A investigação avaliou 25 variedades de cacau cultivadas em Rondônia e revelou que dois clones apresentaram desempenho superior tanto em produtividade quanto em resistência à vassoura-de-bruxa, uma das principais ameaças à cadeia produtiva do chocolate.

Os resultados mostram que a combinação entre melhoramento genético e manejo nutricional pode ser uma alternativa mais eficiente e sustentável para os produtores. Em vez de depender exclusivamente de fungicidas, a estratégia fortalece a resistência natural das plantas por meio da seleção de cultivares adaptadas e da nutrição adequada.

Os pesquisadores observaram ainda que níveis equilibrados de fósforo, potássio, cálcio e magnésio favorecem a resistência ao fungo. Em contrapartida, a deficiência de alguns nutrientes e o excesso de nitrogênio podem aumentar a vulnerabilidade das lavouras.

Entre os materiais analisados, os clones EEOP 63 e EEOP 65 se destacaram por aliar alta produtividade, equilíbrio nutricional e maior tolerância à doença nas condições climáticas da Amazônia.

Causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, a vassoura-de-bruxa provocou uma das maiores crises da cacauicultura brasileira, especialmente no Sul da Bahia durante a década de 1990. Atualmente, a doença continua representando um desafio para os produtores da região amazônica.

Os pesquisadores defendem a ampliação dos programas de melhoramento genético para disponibilizar novas variedades resistentes aos agricultores. A expectativa é aumentar a produtividade, reduzir custos com defensivos agrícolas e garantir maior sustentabilidade para o setor cacaueiro.

Os resultados reforçam que a adoção de cultivares resistentes associada ao manejo nutricional adequado pode representar um importante avanço para a produção de cacau no Brasil, contribuindo para a segurança da atividade e o fortalecimento da cadeia produtiva em regiões afetadas pela vassoura-de-bruxa.

Fontes: Universidade Estadual Paulista (Unesp), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Rondônia (Unir), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

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