Um projeto desenvolvido em Fernando de Noronha vem ampliando o acesso ao tratamento com canabidiol (CBD) para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e outras condições do neurodesenvolvimento. A iniciativa também presta suporte psicológico e acompanhamento às mães atípicas, grupo frequentemente impactado pela sobrecarga dos cuidados diários.
A ação reúne entidades da área da saúde, associação de mães e a administração local para oferecer atendimento gratuito às famílias. Somente nos dois mutirões realizados neste ano foram promovidas 126 consultas médicas e distribuídos 221 frascos de óleo de canabidiol, além da criação de uma rede permanente de acolhimento para os moradores da ilha.
O projeto também prevê a implantação de uma sede própria em um terreno cedido pela administração distrital. O espaço será destinado ao atendimento multidisciplinar, orientação e suporte contínuo às famílias de crianças neuroatípicas.
Além do cuidado com os pacientes, a iniciativa direciona atenção especial às mães, que frequentemente acumulam toda a responsabilidade pelos cuidados dos filhos. O programa oferece acompanhamento voltado à saúde mental dessas mulheres, considerando os elevados índices de ansiedade, depressão e esgotamento emocional registrados entre as participantes.
Outro desafio enfrentado pela população de Fernando de Noronha é o acesso limitado aos serviços especializados de saúde. A ilha conta apenas com uma unidade hospitalar pública para atendimentos de média complexidade, enquanto casos mais graves exigem deslocamento ao continente, principalmente para Recife, distante cerca de 545 quilômetros.
Levantamento realizado durante o segundo mutirão identificou que 70,6% dos atendimentos estavam relacionados à saúde mental. Também foram registradas demandas por atendimento envolvendo neurodivergências, distúrbios do sono, dores crônicas e condições neurológicas. Entre os sintomas mais frequentes estavam ansiedade, insônia, dor crônica, crises de pânico e dificuldades de concentração.
No grupo de pacientes com transtornos do neurodesenvolvimento, predominavam diagnósticos de TEA, TDAH, Transtorno Opositor Desafiador (TOD) e casos ainda em investigação.
Especialistas envolvidos no projeto destacam que o canabidiol tem sido utilizado como alternativa complementar em tratamentos neurológicos e psiquiátricos. Em pacientes com TEA, o composto pode contribuir para reduzir episódios de agressividade, agitação e alterações do sono, sem provocar sedação intensa, favorecendo a participação nas terapias multidisciplinares.
Além de ampliar o acesso ao tratamento com cannabis medicinal, o projeto pretende acompanhar os impactos sociais e clínicos da iniciativa por meio de pesquisas, fortalecendo a assistência às famílias neuroatípicas e produzindo dados que possam contribuir para futuras políticas públicas voltadas à saúde e ao neurodesenvolvimento.
Fonte: Projeto Noronha / Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed) / agência Btasil
Entre no nosso canal de WhatsApp e receba notícias em tempo real, Clique aqui
Inscreva-se em nosso canal no Youtube, Clique aqui
Comentários