A agricultura do Oeste da Bahia intensifica estratégias para enfrentar os nematoides, microrganismos que provocam perdas significativas em diversas culturas e podem comprometer até 30% da produtividade de grãos. A região, um dos principais polos do agronegócio nacional, aposta em inovação tecnológica e manejo sustentável para conter a disseminação dessas pragas no solo.
Considerados um dos maiores desafios fitossanitários da agricultura moderna, os nematoides estão presentes em diferentes sistemas produtivos e afetam culturas como soja, algodão, feijão, cana-de-açúcar, tabaco, café, hortaliças e frutíferas. Esses organismos microscópicos, antigos e amplamente distribuídos no planeta, têm alta concentração em áreas do centro-oeste baiano, além de regiões como a Amazônia, o Saara e até ambientes marinhos profundos.
Com o aumento da demanda por produtividade, o setor agropecuário tem investido em soluções sustentáveis para reduzir os impactos desses microrganismos no solo sem comprometer o equilíbrio biológico.
O controle dos nematoides é realizado principalmente por meio de nematicidas químicos e biológicos, que atuam na eliminação ou paralisação dos organismos. No entanto, o uso indiscriminado pode afetar também espécies benéficas presentes no solo.
Nesse contexto, uma nova tecnologia tem ganhado destaque: o nematicida Lormelo, apresentado na Bahia Farm Show. O produto foi desenvolvido para atuar de forma mais seletiva, combatendo os fitonematoides sem prejudicar organismos de vida livre que auxiliam na fertilidade do solo.
Segundo o pesquisador em fitopatologia e nematologia, Eduardo Freire, o maior desafio está nos chamados fitonematoides, responsáveis diretos por danos às plantas. “É um universo muito diverso: há nematoides que atacam plantas, outros que se alimentam de fungos ou bactérias e até os que controlam outras pragas. O problema está em uma pequena parte deles, que causa doenças”, explica.
Entre os principais nematoides patogênicos estão o nematoide-das-galhas, o nematoide das lesões radiculares e o nematoide reniforme, todos associados a prejuízos diretos às lavouras.
Especialistas reforçam que o manejo preventivo é a estratégia mais eficiente. O diagnóstico prévio do solo pode orientar decisões mais precisas e evitar gastos desnecessários. “O levantamento de nematoides na área é um investimento essencial. Ele orienta o uso correto de tecnologias e reduz riscos na produção”, destaca Freire.
O Lormelo, composto do grupo das sulfonamidas e identificado como fluazaindolizina, atua no solo durante o plantio, sendo aplicado no sulco de semeadura ou via irrigação. A tecnologia reduz a população de nematoides sem eliminar organismos benéficos, favorecendo o equilíbrio do sistema produtivo.
De acordo com a agrônoma de campo e gerente da empresa desenvolvedora, Jakelinny Martins, o diferencial está na seletividade. “O produto atua diretamente no manejo da lavoura, preservando os organismos úteis do solo e atacando apenas os prejudiciais, o que traz mais segurança e eficiência ao produtor”, afirma.
Além do fornecimento da tecnologia, há também suporte técnico aos agricultores para orientar a aplicação correta e fortalecer o manejo integrado no campo.
Com o avanço de soluções tecnológicas e práticas de manejo mais sustentáveis, o Oeste da Bahia busca reduzir o impacto dos nematoides e garantir maior estabilidade produtiva, reforçando a competitividade do agronegócio regional.
Fonte: Setor agropecuário / Jakelinny Martins (agrônoma)
Entre no nosso canal de WhatsApp e receba notícias em tempo real, Clique aqui
Inscreva-se em nosso canal no Youtube, Clique aqui
Comentários