Um novo avanço regulatório na área da saúde pode ampliar as alternativas terapêuticas para pacientes com feridas crônicas e de difícil cicatrização. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou oficialmente a indicação de um gerador de ozônio medicinal para o tratamento de feridas complexas, marcando a primeira autorização do tipo no país.
A medida foi publicada por meio da Resolução-RE nº 1.760/2026 e contempla equipamentos da linha Medplus, da empresa Philozon. Até então, a utilização da ozonioterapia em feridas ocorria de forma complementar, sem indicação específica registrada junto à agência reguladora.
O reconhecimento abre caminho para a adoção da terapia em protocolos clínicos mais estruturados, oferecendo maior segurança regulatória para profissionais da saúde e ampliando sua aplicação em hospitais, clínicas especializadas, ambulatórios e atendimentos domiciliares.
A autorização ocorre em um cenário de crescimento dos casos de diabetes e doenças vasculares, condições diretamente associadas ao aumento de feridas crônicas e amputações. Dados da International Diabetes Federation (IDF) apontam que uma amputação relacionada ao diabetes ocorre a cada 20 segundos no mundo. Entre as complicações mais graves está o pé diabético, responsável por elevados índices de internação e perda de membros.
Estudos científicos recentes têm demonstrado resultados promissores da ozonioterapia como tratamento complementar. Uma metanálise publicada em 2024 identificou redução no tempo de cicatrização, menor período de internação e queda significativa nas taxas de amputação entre pacientes que receberam a terapia associada ao tratamento convencional.
O avanço regulatório também reforça a participação do farmacêutico no cuidado multidisciplinar de pacientes com feridas complexas. No Brasil, a atuação desses profissionais com ozonioterapia é reconhecida pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), desde que observadas as exigências de capacitação e utilização de equipamentos devidamente regularizados.
O ozônio medicinal atua por meio de propriedades antimicrobianas e mecanismos que favorecem a regeneração dos tecidos, contribuindo para o controle de infecções e para a recuperação de lesões de difícil tratamento.
Com a autorização da Anvisa, especialistas avaliam que a ozonioterapia inicia uma nova etapa no país, reunindo respaldo científico, regulamentação específica e maior integração aos serviços de saúde voltados ao tratamento de feridas crônicas.
Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária | Conselho Federal de Farmácia | International Diabetes Federation
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