A dificuldade de acesso a medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) continua impactando milhares de pacientes em todo o país. Levantamento realizado pelo movimento “Medicamento no Tempo Certo” revela que 83% dos participantes enfrentaram problemas no fornecimento de remédios destinados ao tratamento de doenças crônicas, raras, imunomediadas e oncológicas.
De acordo com a pesquisa, a falta de medicamentos e os atrasos na entrega estão entre as principais reclamações dos usuários. Mais da metade dos entrevistados afirmou já ter ficado sem tratamento em algum momento devido à indisponibilidade dos produtos.
Especialistas alertam que interrupções terapêuticas podem comprometer a eficácia dos medicamentos, agravar sintomas e aumentar os riscos de complicações clínicas, especialmente entre pacientes que dependem de tratamentos contínuos e de alto custo.
O levantamento identificou problemas frequentes no acesso a medicamentos utilizados no tratamento de doenças autoimunes, artrite reumatoide, esclerose múltipla, doenças inflamatórias intestinais, enfermidades raras e diferentes tipos de câncer. Em muitos casos, os pacientes não possuem alternativas terapêuticas imediatas.
As notificações foram registradas em diversas regiões do Brasil, incluindo capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Belo Horizonte e Brasília, além de municípios de médio e pequeno porte.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que mantém monitoramento permanente dos estoques e do planejamento das compras, em parceria com estados e municípios. A pasta destacou que fatores como dificuldades na produção industrial, questões logísticas, aumento da demanda e processos licitatórios podem ocasionar atrasos temporários no abastecimento.
Segundo o ministério, medidas vêm sendo adotadas para modernizar os sistemas de aquisição e distribuição, buscando ampliar a eficiência da assistência farmacêutica e garantir maior regularidade no fornecimento dos medicamentos ofertados pelo SUS.
Entidades de pacientes e profissionais da saúde defendem maior transparência na gestão dos estoques e reforçam que o acesso contínuo aos medicamentos é essencial para assegurar a efetividade dos tratamentos, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e fortalecer o direito à saúde em todo o país.
Fontes: Movimento Medicamento no Tempo Certo / Ministério da Saúde e levantamento nacional com pacientes do SUS
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