Implantes hormonais voltam ao debate após relatos de complicações graves em pacientes

Especialistas alertam para riscos dos chamados “pellets hormonais”, dificuldade de reversão e uso indiscriminado para fins estéticos e de bem-estar.

Foto: Divulgação.

Os implantes hormonais, conhecidos popularmente como “pellets”, voltaram a gerar preocupação entre especialistas após casos recentes de pacientes que sofreram complicações graves relacionadas ao tratamento. Relatos envolvendo trombose, lesões renais e internações em UTI reacenderam o debate sobre a segurança dessas terapias, frequentemente divulgadas para menopausa, emagrecimento, estética e aumento da libido.

Segundo o endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), o principal problema está no uso excessivo e fora das indicações tradicionais. Os implantes são pequenos cilindros inseridos sob a pele, liberando hormônios como testosterona, estradiol e gestrinona por períodos de até nove meses.

O especialista destaca que a maior preocupação é a dificuldade de interromper os efeitos em caso de reações adversas. Diferente de géis, adesivos ou comprimidos, os pellets continuam liberando hormônios mesmo após o surgimento de complicações. Em alguns casos, nem a retirada cirúrgica consegue impedir totalmente a ação hormonal já liberada no organismo.

Ramon Marcelino defende que terapias reversíveis sejam priorizadas antes da indicação dos implantes hormonais, principalmente em pacientes sem histórico prévio de reposição hormonal. Ele também alerta para a banalização do uso dessas terapias no Brasil, associadas a promessas de rejuvenescimento, melhora estética e desempenho físico, muitas vezes sem comprovação científica robusta.

Embora os implantes hormonais sejam utilizados há décadas em tratamentos específicos, especialistas reforçam que o uso deve ocorrer com indicação médica criteriosa, acompanhamento contínuo e esclarecimento completo sobre riscos e limitações da terapia.

O tema segue sendo estudado pela comunidade científica, enquanto cresce o alerta sobre o uso indiscriminado de terapias hormonais de longa duração.

Fonte: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP)

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