Em um esforço para preservar a memória da pandemia e expor os erros cometidos contra a saúde pública, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lança, nesta quarta-feira (12), o Acervo da Pandemia. A iniciativa reúne documentos, registros e evidências que mostram como a disseminação de desinformação e a negligência de agentes públicos e privados ampliaram a tragédia no Brasil.
A jornalista guanambiense Luiza Caires, uma das vozes atuantes na divulgação científica durante a pandemia, destaca a importância desse projeto para garantir que os fatos não sejam esquecidos e que erros graves não se repitam.
“O acervo é um testemunho do que vivemos e um alerta para o futuro. A pandemia não foi apenas um evento sanitário, mas também um episódio marcado por decisões políticas e estratégicas que impactaram diretamente na perda de vidas. Preservar essa memória é fundamental para a justiça e para a ciência”, ressalta Luiza.
O Brasil registrou mais de 700 mil mortes por Covid-19, ocupando uma das posições mais altas no ranking mundial de mortalidade per capita. O Acervo da Pandemia, além de documentar essa tragédia, traz à tona discursos, ações e omissões que dificultaram o combate ao vírus, desde a negação da gravidade da doença até a distribuição de medicamentos ineficazes e o atraso na vacinação.
O projeto, organizado pelo centro de estudos SoU_Ciência, conta com a colaboração de pesquisadores de diversas instituições, como a USP, a Fiocruz e a UFRJ. Para a ex-reitora da Unifesp e coordenadora do SoU_Ciência, Soraya Smaili, a iniciativa é um instrumento de resistência contra a tentativa de apagar essa história.
“O governo da época não apenas negou a pandemia, mas também atacou as universidades e institutos de pesquisa que estavam na linha de frente no desenvolvimento de vacinas e na orientação à população”, afirma Soraya.
Além da preservação da memória, o acervo será essencial para pesquisadores, jornalistas e cidadãos interessados na compreensão do impacto da pandemia e das consequências das decisões políticas no enfrentamento da crise sanitária.
O lançamento do Acervo da Pandemia reforça um chamado por justiça. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ideia em 2023 apontou que 52% da população brasileira defende a responsabilização criminal por condutas que agravaram a pandemia .
“Diante da maior tragédia sanitária da nossa história, precisamos garantir que os responsáveis sejam lembrados e que os erros não se repitam. O Brasil não pode permitir que essa catástrofe seja varrida para debaixo do tapete”, conclui os pesquisadores do SoU_Ciência.
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