Mais de 380 mil mulheres perderam emprego após retorno da licença-maternidade no Brasil

Levantamento do Ministério do Trabalho revela aumento de desligamentos e queda de empresas que oferecem licença estendida.

Foto: Agência Brasil/ Wilson Dias.

O retorno ao mercado de trabalho após a maternidade tem sido um desafio para milhares de brasileiras. Dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apontam que mais de 380 mil mulheres foram demitidas sem justa causa nos últimos cinco anos após o fim da licença-maternidade.

Entre 2020 e 2025, o levantamento contabilizou 383.737 dispensas em até dois anos após o retorno ao trabalho. Além disso, houve 265.515 pedidos de demissão, 13.544 distratos — quando empresa e funcionária encerram o vínculo em comum acordo — e outros 50.545 desligamentos registrados em empresas participantes do Programa Empresa Cidadã.

O estudo também evidencia a redução no número de empresas que oferecem licença-maternidade ampliada de 180 dias. Segundo dados divulgados pelo portal g1 com base em informações da Receita Federal, o total de participantes do Programa Empresa Cidadã caiu de 30.545 empresas em 2024 para 8.862 em 2025, uma redução de cerca de 71%. Em 2026, o número permaneceu praticamente estável, com 8.858 cadastros ativos.

De acordo com a Receita Federal, a queda ocorreu após auditoria realizada em 2024, que excluiu mais de 22 mil empresas por irregularidades cadastrais ou incompatibilidade com o regime tributário exigido para adesão ao benefício fiscal.

Outro dado que chama atenção é a diminuição das licenças superiores a 120 dias. Até o primeiro trimestre de 2026, apenas 8% dos afastamentos foram estendidos. O percentual era de 10% em 2024 e 2025, além de 11% em 2023.

Especialistas alertam que os números reforçam os desafios enfrentados pelas mães brasileiras para manter estabilidade profissional após a maternidade, cenário que reacende o debate sobre proteção trabalhista e incentivo à permanência das mulheres no mercado de trabalho.

Fontes: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) / Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) / Receita Federal

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