A chamada “taxa das blusinhas”, que impõe tributo de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, provocou aumento nos preços do varejo brasileiro acima da inflação, segundo estudo da consultoria Global Intelligence and Analytics, encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia. A pesquisa também aponta ausência de efeitos positivos relevantes na geração de emprego e renda.
De acordo com o levantamento, após a implementação da alíquota em agosto de 2024, diversos produtos registraram alta significativa. Cosméticos lideraram com aumento de 17%, seguidos por bijuterias (16%), papelaria (13%), calçados (9%) e vestuário (7,1%).
Os dados mostram que esses reajustes superaram a inflação oficial do período, que ficou em 5,23%, contribuindo para pressionar o custo de vida. A análise considerou informações de 2018 a 2025, com base em indicadores oficiais.
Além da alta de preços, o estudo identificou queda na procura por produtos importados via comércio eletrônico. A demanda recuou, em média, 19,4% até julho de 2025, podendo chegar a 56% em um cenário comparativo sem a cobrança.
O impacto foi mais intenso entre consumidores de menor renda, especialmente das classes C, D e E, que passaram a ter menor acesso a produtos mais baratos vindos do exterior.
No mercado de trabalho, a pesquisa não constatou mudanças significativas. Os indicadores de emprego e renda mantiveram trajetória semelhante entre setores afetados e não afetados pela medida. A renda média nesses segmentos permaneceu abaixo da média nacional.
O estudo conclui que a tributação ampliou custos ao consumidor sem gerar retorno proporcional em emprego ou renda. Enquanto isso, propostas para rever a medida seguem em análise no Congresso Nacional, em meio ao debate sobre os impactos do comércio eletrônico no país.
Fonte: Global Intelligence and Analytics / Amobitec
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