MEI: teto de R$ 81 mil trava crescimento e Congresso discute aumento do limite

Defasagem de 83% pressiona microempreendedores e proposta em análise prevê ampliação do faturamento e mais contratações.

Foto: Divulgação Sebrae.

O limite anual de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), fixado em R$ 81 mil, tem sido apontado como um dos principais entraves ao crescimento de pequenos negócios no Brasil. Defasado pela inflação, o teto pode estar comprometendo renda, empregos e a competitividade de milhões de trabalhadores.

Levantamento da Associação de Micro e Pequenas Empresas (ASSIMPI) indica que, se corrigido pela inflação, o teto do MEI deveria alcançar cerca de R$ 148,5 mil. Na prática, o valor atual força empreendedores a tomar decisões difíceis, como reduzir atividades no fim do ano ou elevar preços para compensar custos, impactando diretamente o consumidor.

Com o aumento dos insumos, muitos negócios registram crescimento no faturamento bruto sem ganho real de lucro. Ao se aproximar do limite, o microempreendedor enfrenta o risco de migrar para o regime de Microempresa, que possui maior carga tributária.

Outro impacto relevante é no mercado de trabalho. Atualmente, o MEI pode contratar apenas um funcionário, o que limita a expansão de pequenos negócios e reduz a geração de empregos formais, especialmente em setores como serviços e comércio.

Especialistas também alertam para o chamado “efeito nanismo”, quando empresas evitam crescer para não ultrapassar o teto permitido. Esse cenário pode resultar em menor investimento, baixa inovação e até aumento da informalidade, com prejuízos para a economia e para a segurança jurídica.

Diante desse contexto, a proposta de atualização do limite é vista como uma medida estratégica. A ampliação permitiria maior emissão de notas fiscais, possibilidade de novas contratações e manutenção de preços mais competitivos, estimulando o consumo interno e o crescimento econômico.

No Congresso Nacional, o tema avança com o Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que propõe elevar o teto para R$ 130 mil anuais e autorizar a contratação de até dois empregados. Em abril de 2026, a Câmara dos Deputados determinou a criação de uma Comissão Especial para analisar a matéria.

A atualização do teto do MEI é considerada crucial para destravar o potencial de pequenos negócios no país. A decisão agora depende do Congresso, enquanto empreendedores aguardam mudanças que possam garantir sustentabilidade e crescimento no cenário econômico atual.

Fontes: Associação de Micro e Pequenas Empresas (ASSIMPI) / Câmara dos Deputados

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