O Brasil registrou aumento de 27% nas denúncias de violência contra mulheres no primeiro trimestre de 2026, segundo a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. No período, foram 45.735 denúncias e 301.044 atendimentos (+10,22%), evidenciando maior procura por ajuda e ampliação do acesso aos canais de proteção em todo o país.
Os dados mensais apontam crescimento contínuo: em janeiro de 2026, os atendimentos subiram 3,83% e as denúncias 29,13%; em fevereiro, os aumentos foram de 13,38% e 12,90%, respectivamente; já em março, os atendimentos cresceram 12,02% e as denúncias 25,93%, consolidando a tendência de alta no trimestre.
Durante o Carnaval de 2026, foram registradas 176 denúncias de importunação sexual — número superior a 2025 (74) e 2024 (6), indicando avanço na notificação desse tipo de crime.
Em 2025, o serviço contabilizou 1.088.900 atendimentos (+45%) e 155.111 denúncias (+17,4%), com média de 425 denúncias diárias. A maioria dos registros foi feita pelas próprias vítimas (102.770), além de comunicações por terceiros (26.033) e denúncias anônimas (26.237).
Perfil das vítimas e suspeitos:
Entre as vítimas, mulheres negras e pardas somam 42,24% das denúncias, enquanto mulheres brancas representam 32,54%. A maior incidência está entre 40 e 44 anos (9,75%), seguida por 35 a 39 anos (9,41%).
Os principais suspeitos são ex-companheiros (15,15%) e companheiros atuais (12,29%), evidenciando a predominância de vínculos afetivos nos casos.
Tipos de violência:
A violência psicológica lidera com mais de 339 mil registros, seguida pela física (mais de 104 mil), patrimonial (36.938), sexual (20.534, sendo 8.172 por importunação sexual) e casos de sequestro/cárcere privado (2.621).
A violência vicária também cresceu, passando de 4,55% em 2025 para 7,77% das denúncias no primeiro trimestre de 2026, quando o agressor utiliza terceiros para atingir a vítima.
Local e frequência das agressões:
A casa da vítima concentra 40,76% dos casos, seguida pela residência compartilhada (28,58%) e casa do agressor (5,39%). A violência ocorre diariamente em 31,86% dos registros, e 20,91% das vítimas relatam agressões por mais de um ano.
O Sudeste lidera com 47,4% das denúncias, seguido pelo Nordeste (18,2%), Centro-Oeste (11,5%), Sul (10,2%) e Norte (6,0%). Entre os estados, destacam-se São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia.
O serviço foi ampliado, incluindo nova central, atendimento via WhatsApp, suporte em Libras e funcionamento 24 horas. O Ligue 180 também integra ações do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios e do programa Mulher Viver sem Violência.
Os números refletem tanto o aumento das ocorrências quanto o fortalecimento dos canais de denúncia e da rede de proteção às mulheres no Brasil, ampliando o acesso à informação, acolhimento e encaminhamento dos casos.
Maiores informações ligue para: (61) 2027-3676 | [email protected]
Fonte: Ministério das Mulheres / Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
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