Unesco alerta: 273 milhões de crianças e jovens estão fora da escola no mundo

Relatório GEM 2026 aponta aumento pelo 7º ano seguido e destaca impacto de crises, conflitos e falta de investimentos.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A Unesco divulgou na quarta-feira (25) o Relatório de Monitoramento Global da Educação (GEM) 2026, revelando que 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estavam fora da escola em 2024 — o equivalente a um em cada seis no mundo. O número cresce pelo sétimo ano consecutivo, impulsionado por crises globais, crescimento populacional e redução de recursos públicos.

Após uma queda significativa entre 2000 e 2015, quando o total de excluídos recuou 33%, a tendência se inverteu e registra alta contínua desde então. Segundo o relatório, apenas dois terços dos jovens conseguem concluir o ensino secundário.

A Unesco também alerta que o número real pode ser ainda maior, com subnotificação de pelo menos 13 milhões de crianças em países afetados por conflitos. A publicação inaugura a série “Contagem Regressiva para 2030”, que avaliará acesso, qualidade e relevância da educação global até o fim da década.

Apesar do cenário preocupante, houve avanços no acesso à educação. Em 2024, o mundo contabilizou 1,4 bilhão de estudantes matriculados, com crescimento expressivo desde 2000 em todos os níveis de ensino, especialmente no ensino superior.

Entretanto, desafios persistem. Apenas 60% dos alunos do ensino fundamental tiveram acesso à educação pré-primária, indicando falhas na base educacional. Além disso, o ritmo de permanência escolar desacelerou desde 2015, principalmente na África Subsaariana e em regiões afetadas por conflitos no Oriente Médio.

O relatório também destaca desigualdades regionais e sociais, embora a disparidade de gênero tenha diminuído em diversas partes do mundo. Em paralelo, cresce a adoção de políticas de educação inclusiva, com mais países incorporando leis voltadas a estudantes com deficiência e grupos vulneráveis.

No campo do financiamento, houve ampliação de mecanismos de apoio, como transferências de recursos e programas de alimentação escolar. Ainda assim, a Unesco aponta que os investimentos seguem insuficientes para garantir acesso universal e equitativo.

Diante da meta do Organização das Nações Unidas de universalizar a educação básica até 2030, o relatório reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes, melhor uso de dados e maior cooperação internacional. Sem aceleração nos avanços, a conclusão universal do ensino médio só seria alcançada no próximo século.

Fonte: Unesco / agência Brasil

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