Açaí pode transmitir doença de Chagas? Especialistas alertam para cuidados no consumo

Falta de processamento térmico adequado pode favorecer contaminação pelo parasita Trypanosoma cruzi, segundo pesquisadores.

Foto: Luis Echeverri Urrea | Shutterstock.

O consumo de açaí produzido de forma artesanal pode representar risco à saúde quando não passa pelo processamento adequado. Especialistas alertam que, sem tratamento térmico correto, a fruta pode estar associada à transmissão da doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o principal risco ocorre quando o açaí não passa pelo processo de aquecimento necessário para eliminar microrganismos. Para reduzir a possibilidade de contaminação, o fruto deve ser submetido a temperaturas entre 80 °C e 90 °C por cerca de 10 minutos, procedimento conhecido como branqueamento.

Antes mesmo do preparo, também é essencial realizar a seleção adequada dos frutos, retirando impurezas como pedras, folhas e insetos, principalmente o barbeiro, inseto associado à transmissão da doença de Chagas.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2007 e 2016, cerca de 69% dos casos agudos da doença no Brasil ocorreram por transmissão oral, geralmente relacionada ao consumo de alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana.

Na fase inicial da doença, os sintomas mais comuns incluem febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza, inchaço no rosto ou nas pernas e lesões semelhantes a furúnculos no local de entrada do parasita. Em muitos casos, porém, a pessoa pode não apresentar sinais imediatos.

Com o passar do tempo, a doença pode evoluir para a fase crônica, que pode provocar complicações cardíacas ou problemas no sistema digestivo.

Especialistas reforçam que a prevenção envolve cuidados no preparo e armazenamento dos alimentos, além da higienização adequada de frutas e utensílios. O uso de telas em residências, proteção contra insetos e boas práticas na manipulação de alimentos também ajudam a reduzir o risco de contaminação.

Fontes: Ministério da Saúde e Embrapa

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