Açaí na adolescência pode prevenir ansiedade e depressão, aponta estudo da UFPA

Pesquisa da Universidade Federal do Pará indica efeito neuroprotetor do açaí no desenvolvimento cerebral em modelo animal.

Foto: CFF.

O consumo de açaí durante a adolescência pode contribuir para a prevenção de sinais relacionados à ansiedade e à depressão, segundo estudo conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA). A pesquisa, realizada em modelo animal, identificou que compostos antioxidantes presentes no fruto atuam como agentes neuroprotetores em fase equivalente à puberdade e adolescência humana.

O trabalho contou com a participação do Laboratório de Farmacologia da Inflamação e do Comportamento (Lafico/UFPA) e do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA/UFPA), reunindo pesquisadores de diferentes instituições. Os resultados foram publicados em janeiro na revista científica internacional Food Research International e repercutidos em reportagem do portal Amazonia Vox.

De acordo com a pesquisadora Taiana Simas, que coordenou o estudo, a proposta foi avaliar o fruto como estratégia preventiva em saúde mental, e não apenas como suporte complementar a tratamentos. A investigação utilizou testes comportamentais amplamente aplicados em estudos de ansiedade e depressão, como campo aberto, labirinto em cruz elevado e nado forçado.

Os animais suplementados com açaí apresentaram melhora significativa nos parâmetros comportamentais associados ao estresse e à emocionalidade. Além disso, análises bioquímicas apontaram aumento da atividade antioxidante no cérebro, especialmente em regiões como córtex pré-frontal, hipocampo ventral e amígdala — áreas ligadas ao controle das emoções.

Um dos destaques foi a elevação da enzima catalase, relacionada à proteção contra danos oxidativos. Segundo os pesquisadores, o uso de açaí clarificado — com retirada de lipídios — permitiu comprovar que os efeitos ansiolíticos e antidepressivos estão associados aos compostos antioxidantes, e não à fração gordurosa do alimento.

A equipe já prepara uma nova etapa da pesquisa, desta vez com participação de voluntários humanos, prevista para iniciar ainda neste mês de fevereiro. O objetivo será avaliar os impactos do consumo do açaí em diferentes faixas etárias e perfis emocionais.

A descoberta reforça o potencial da biodiversidade amazônica na promoção da saúde e amplia as perspectivas para futuras aplicações terapêuticas baseadas em compostos naturais.

Fontes: Universidade Federal do Pará (UFPA / CFF

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