Polilaminina avança para testes em humanos e renova esperança no tratamento de lesões medulares

Substância desenvolvida no Brasil pode estimular regeneração nervosa e recuperação parcial de movimentos.

Foto: CFF.

Pesquisada há quase três décadas no Brasil, a polilaminina deu um passo decisivo rumo ao uso clínico no tratamento de lesões graves na medula espinhal. A substância, desenvolvida pela UFRJ em parceria com a farmacêutica Cristália, recebeu autorização da Anvisa para iniciar a fase 1 de testes clínicos em humanos, etapa que avalia segurança e tolerabilidade.

Derivada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo, a polilaminina atua como um “andaime biológico”, criando um ambiente favorável para o crescimento dos axônios, estruturas dos neurônios que são rompidas em lesões medulares. Esse mecanismo pode favorecer a reconexão neural, condição essencial para a recuperação de funções motoras e sensoriais.

Os benefícios potenciais do tratamento incluem melhora do controle de movimentos, possibilidade de recuperação parcial da sensibilidade, maior resposta aos programas de reabilitação física e impacto positivo na autonomia e qualidade de vida de pacientes com lesões consideradas irreversíveis. Em estudos experimentais e em um estudo piloto com oito voluntários, seis pacientes com lesão medular completa apresentaram algum grau de recuperação motora — resultado superior ao observado normalmente em casos semelhantes.

Nesta fase inicial, cinco pacientes com lesão medular grave participarão dos testes, conduzidos em centros de referência como o Hospital das Clínicas da USP, a Santa Casa de São Paulo e a AACD, responsável pelo processo de reabilitação. Apesar do avanço, especialistas ressaltam que os dados preliminares ainda não permitem afirmar a eficácia do tratamento.

Se a fase 1 confirmar a segurança da polilaminina, o tratamento poderá avançar para etapas mais amplas de avaliação da eficácia, aproximando-se de uma futura aprovação regulatória. Embora os resultados iniciais tragam expectativa para pessoas com lesões medulares severas, pesquisadores reforçam que o processo científico exige cautela, rigor e acompanhamento contínuo antes que a terapia possa ser disponibilizada de forma ampla no país.

Fontes: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / Anvisa / CFF

 

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