A gordura acumulada na região da barriga — popularmente chamada de “barriga de chopp” — provoca alterações estruturais mais severas no coração do que aquelas relacionadas ao simples aumento do IMC. A conclusão é de um estudo apresentado no congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte, que analisou o impacto da gordura visceral em 2.244 adultos entre 46 e 78 anos.
Os pesquisadores identificaram que o IMC elevado aumenta o tamanho geral do coração, mas a gordura abdominal causa um efeito mais preocupante: ela eleva a massa dos ventrículos sem ampliar o volume do órgão. Esse desequilíbrio engrossa o músculo cardíaco, reduz a capacidade de bombear sangue, dificulta o relaxamento entre os batimentos e pode levar à insuficiência cardíaca.
Os homens apresentaram maior vulnerabilidade, especialmente no ventrículo direito, devido à ausência do efeito protetor do estrogênio — presente nas mulheres até a menopausa. Mesmo assim, especialistas alertam que ambos os sexos devem monitorar a circunferência abdominal, já que o acúmulo de gordura visceral compromete a função cardíaca, a respiração e a pressão pulmonar.
Diante do avanço crescente da obesidade abdominal no Brasil, especialistas defendem ações articuladas entre governos e população. Entre as medidas públicas necessárias estão o fortalecimento de programas de prevenção, campanhas permanentes sobre alimentação saudável e atividade física, ampliação da Atenção Primária para monitoramento de riscos cardiometabólicos e criação de ambientes urbanos que estimulem exercícios, como ciclovias e áreas de lazer. Programas de apoio nutricional e psicológico também são considerados essenciais.
A população deve contribuir adotando exercícios regulares, reduzindo o consumo de álcool, evitando alimentos ultraprocessados, acompanhando exames cardíacos e observando mudanças corporais. Procurar ajuda médica ao primeiro sinal de cansaço, falta de ar ou aumento rápido da barriga é fundamental.
Segundo especialistas, somente a combinação de políticas públicas consistentes com mudanças individuais contínuas pode frear o avanço da gordura visceral e diminuir os riscos de doenças graves, como insuficiência cardíaca e hipertensão.
Fontes: Sociedade Radiológica da América do Norte / Bahia Notícias
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