Um programa de vacinação adotado no País de Gales trouxe novas evidências de que a vacina contra herpes-zóster pode diminuir significativamente o risco de demência em idosos. Estudo da Stanford Medicine, publicado na revista Nature, analisou registros de saúde e concluiu que idosos vacinados tiveram 20% menos probabilidade de desenvolver demência nos sete anos seguintes, reforçando a relação entre vírus que afetam o sistema nervoso e doenças neurodegenerativas.
A pesquisa também comprovou benefícios adicionais: a imunização reduziu em 37% os casos de herpes-zóster e contribuiu para menor progressão e menor mortalidade por demência entre pessoas já diagnosticadas. Esses resultados mostram que a vacina pode evitar reativações virais e fortalecer o sistema imunológico, diminuindo riscos associados a outras doenças relacionadas ao envelhecimento.
Para evitar distorções, os cientistas aproveitaram um “experimento natural” criado pela regra de elegibilidade do programa galês, que permitiu comparar grupos quase idênticos de idosos com diferença mínima de idade. A análise de mais de 280 mil registros apontou que os vacinados apresentaram menor incidência de herpes, menor avanço da demência e maior proteção no grupo feminino, possivelmente devido a diferenças imunológicas.
Os pesquisadores defendem a realização de ensaios clínicos amplos com a vacina de vírus vivo atenuado, usada no estudo, para confirmar a relação causal e orientar estratégias globais de prevenção. A tendência observada também foi identificada em bases de dados de Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia e Canadá.
Fontes: Stanford Medicine / Revista Nature
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