O Dia Mundial de Luta contra o HIV, celebrado em 1º de dezembro, marca o início do Dezembro Vermelho, período dedicado à conscientização, combate à desinformação e enfrentamento ao estigma relacionado ao HIV e à aids. Segundo a ONU, interrupções em programas globais, queda no financiamento e leis restritivas ameaçam anos de avanços, especialmente entre populações mais vulneráveis.
Atualmente, 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo, e mais de 9 milhões ainda não têm acesso ao tratamento. Em mensagem internacional, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que acabar com a aids requer fortalecimento das comunidades, ampliação da prevenção e garantia de tratamento universal.
No Brasil, o Boletim Epidemiológico de 2024 registra mais de 1,1 milhão de casos desde 1980 e média anual de 36 mil novos diagnósticos nos últimos cinco anos. Em 2023, foram notificados 46.495 casos de HIV, aumento de 4,5% em relação ao ano anterior, com predominância entre pessoas negras e homens que fazem sexo com homens. O país também tem observado crescimento de infecções entre idosos e gestantes.
Mesmo diante do cenário desafiador, o Brasil soma conquistas importantes. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou avanços como a redução significativa da mortalidade por aids e a eliminação da transmissão vertical — quando o vírus passa da mãe para o bebê — como problema de saúde pública, graças ao SUS e ao Programa Nacional de Combate à Aids. O país também distribui gratuitamente medicamentos antirretrovirais, amplia o acesso ao teste rápido, oferece PrEP e PEP pelo sistema público e mantém políticas contínuas de prevenção.
Ainda assim, persistem desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce, ao cuidado continuado e à informação qualificada. Segundo o Ministério da Saúde, é necessário intensificar ações de prevenção, enfrentar o estigma e melhorar o acolhimento nas redes de saúde.
O Brasil segue comprometido com a meta 95-95-95 da Organização Mundial da Saúde, que prevê diagnosticar 95% das pessoas vivendo com HIV, tratar 95% das diagnosticadas e garantir que 95% delas alcancem supressão viral até 2030, além de reduzir em 90% novas infecções e mortes.
Fontes: Ministério da Saúde; Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2024
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