Um estudo recente publicado na revista Neurology, conduzido por pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul (EUA), revelou que a condição da saúde bucal tem impacto direto no funcionamento do cérebro e do coração. De acordo com a pesquisa, a presença simultânea de cáries e doença periodontal — inflamação crônica da gengiva e dos tecidos que sustentam os dentes — pode duplicar o risco de acidente vascular cerebral (AVC) e elevar a probabilidade de complicações cardiovasculares graves, como infarto.
A investigação acompanhou quase 6 mil adultos por mais de 20 anos, excluindo aqueles que já tinham histórico de problemas cardiovasculares. Os resultados mostraram que indivíduos com infecções bucais combinadas apresentaram maior risco de sofrer AVCs, especialmente os provocados por processos aterotrombóticos. O estudo também demonstrou que visitas frequentes ao dentista reduzem a chance de eventos graves, indicando que bons hábitos de higiene oral têm efeito protetor sobre o organismo.
Especialistas apontam que tanto as cáries quanto a doença periodontal envolvem processos inflamatórios que podem acelerar a aterosclerose, favorecendo a formação de trombos e prejudicando a circulação sanguínea. Além disso, pessoas que cuidam bem dos dentes tendem a adotar comportamentos mais saudáveis em geral.
Órgãos de governos podem adotar um conjunto de medidas integradas para fortalecer a saúde bucal da população e evitar problemas que afetam não apenas a boca, mas também o coração e o cérebro. O primeiro passo é reforçar a atenção básica, garantindo que consultas odontológicas no SUS sejam frequentes e acessíveis. Paralelamente, campanhas educativas podem orientar a população sobre higiene bucal, prevenção de doenças e hábitos alimentares que protegem os dentes.
Medidas simples — como escovar bem os dentes, usar fio dental e manter check-ups periódicos — continuam sendo essenciais para preservar a boca, o coração e o cérebro.
Fontes: Revista Neurology / Universidade da Carolina do Sul
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