O Governo da Bahia finalizou a proposta de reestruturação do Planserv após novas rodadas de diálogo com sindicatos. O texto, que deve ser encaminhado nos próximos dias à Assembleia Legislativa (Alba), prevê ajustes significativos nas contribuições dos servidores e do próprio Estado como tentativa de conter o déficit crescente do plano de saúde.
A principal mudança é a criação de um percentual único de cobrança para todos os usuários, substituindo o modelo atual baseado em faixas salariais. Em 2026, o desconto será de 5,5%, aumentando para 6% em 2027. Também serão implantados um valor mínimo de R$ 120 e um teto de R$ 1,5 mil, independentemente do salário do servidor. Segundo cálculos oficiais, cerca de 130 mil beneficiários terão redução nas mensalidades, enquanto outros passarão a pagar mais.
Para equilibrar as contas, o Estado também ampliará sua parte no financiamento. A contribuição patronal, hoje em 2,5%, subirá para 3,5% em 2026 e 4% em 2027, após anos de redução que, na avaliação dos trabalhadores, contribuiu para o enfraquecimento do plano. O Planserv acumula déficits sucessivos: R$ 198 milhões em 2024 e R$ 147 milhões em 2023.
Entretanto, o impasse entre governo e servidores vem crescendo. As categorias afirmam que as mudanças podem sobrecarregar parte dos funcionários com novos custos, enquanto problemas como falta de atendimento, descredenciamento de clínicas e dificuldade para consultas permanecem sem solução concreta. Para os sindicatos, o aumento das mensalidades pode agravar a insatisfação e pressionar ainda mais o orçamento das famílias, sem garantir melhora imediata nos serviços.
Os protestos da última semana, realizados em frente ao Hospital de Brotas — unidade exclusiva dos beneficiários —, expuseram o descontentamento com a baixa remuneração paga aos profissionais (R$ 65 por consulta), apontada como causa da evasão de médicos e clínicas. Servidores também criticam o risco de que as mudanças aprofundem desigualdades e comprometam o acesso a exames e tratamentos, ampliando a tensão com o governo.
Entre as promessas da reestruturação estão o aumento da remuneração dos prestadores e a criação de núcleos regionais para descentralizar o atendimento, mas a desconfiança permanece enquanto o projeto avança em regime de urgência na Alba.
Fonte: Governo da Bahia
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