Violência de gênero atinge 3,7 milhões de brasileiras e exige ações urgentes do poder público

Pesquisa do DataSenado revela cenário persistente de agressões e aponta necessidade de respostas mais eficazes dos governos federal, estadual e municipal.

Foto: Freepik.

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, noticiada pelo DataSenado, evidencia que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. Embora o índice tenha recuado em relação a 2023, os dados confirmam a gravidade do problema: 71% das vítimas foram agredidas na presença de crianças, e muitas convivem com o agressor ou enfrentam episódios frequentes há meses ou até mais de um ano.

O levantamento, que entrevistou mais de 21 mil mulheres, também revela divergência, entre violência vivida e reconhecida. Muitas vítimas sofreram agressões físicas, psicológicas ou digitais, mas não se identificam como vítimas de violência. A pesquisa ainda aponta que 40% das mulheres não receberam ajuda de testemunhas e que 10% sofreram ataques virtuais. Entre os motivos para não denunciar, destacam-se medo pelos filhos, descrença na punição e esperança de que a agressão não se repetiria.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que o enfrentamento à violência exige medidas integradas e contínuas em todas as esferas de governo.

A adoção de medidas eficazes para enfrentar a violência contra a mulher depende da atuação conjunta dos três níveis de governo. No âmbito federal, é essencial fortalecer e ampliar as delegacias da mulher com atendimento 24 horas, além de promover campanhas permanentes de conscientização e educação sobre violência de gênero. Também é fundamental direcionar mais recursos ao Mapa Nacional da Violência de Gênero e ao serviço Ligue 180, ampliando a capacidade de monitoramento e resposta.

Nos estados, a prioridade deve ser aprimorar a estrutura das forças de segurança para agilizar o atendimento às denúncias, expandir centros de acolhimento temporário para as vítimas e seus filhos e implementar programas de vigilância de agressores, como o uso de tornozeleiras eletrônicas.

Já nos municípios, é indispensável capacitar profissionais de saúde, assistência social e educação para reconhecer sinais de violência, criar núcleos de apoio psicológico e social e desenvolver ações locais de prevenção, como grupos de apoio e oficinas educativas. Juntas, essas iniciativas formam uma rede de proteção mais eficiente e integrada para reduzir a violência de gênero e oferecer suporte adequado às mulheres.

Fonte: Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher – DataSenado (Senado Federal)

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