Diagnóstico tardio do câncer colorretal acende alerta e sistema de saúde amplia ações para proteger a população

Estudo revela que mais de 60% dos casos chegam em estágio avançado; governo e especialistas defendem expansão de rastreamento, antecipação de exames e políticas permanentes de prevenção.

Foto: Câmara Municipal de Afonso Claudio/Divulgação.

O novo estudo Câncer colorretal no Brasil – O desafio invisível do diagnóstico, divulgado nesta quinta-feira (27) pela Fundação do Câncer, mostra que mais de 60% dos 177 mil casos registrados entre 2013 e 2022 foram diagnosticados tardiamente, reduzindo significativamente as chances de cura.

Diante do cenário preocupante, o sistema público de saúde e especialistas defendem e já articulam uma série de providências para ampliar a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.

O sistema de saúde vem adotando e discutindo uma série de medidas para enfrentar o alto índice de diagnósticos tardios de câncer colorretal no país. A primeira frente de atuação é a ampliação das políticas de rastreamento, com o Ministério da Saúde reforçando programas permanentes de detecção precoce para alcançar um número maior de pessoas antes que a doença evolua.

Os especialistas defendem a redução da idade mínima para a realização de exames preventivos, recomendação feita pela Fundação do Câncer, que sugere iniciar o rastreamento a partir de 45 ou até 40 anos, permitindo identificar lesões iniciais com mais eficiência.

Outra medida essencial é a expansão do acesso ao teste de sangue oculto nas fezes, atualmente aplicado em pessoas acima de 50 anos. A proposta é ampliar a distribuição e simplificar o acesso ao exame, adotando modelos internacionais como o do Reino Unido, que envia o kit diretamente para a casa do paciente.

Com a ampliação da triagem, cresce também a necessidade de maior oferta de colonoscopias. O sistema de saúde planeja aumentar sua capacidade de atendimento para confirmar diagnósticos quando o teste inicial apresenta resultado positivo, garantindo rapidez na investigação.

Por fim, o conjunto de ações se completa com o fortalecimento de políticas permanentes de prevenção, promovendo campanhas contra tabagismo, obesidade, sedentarismo e abuso de álcool — fatores diretamente associados ao risco de desenvolvimento do câncer colorretal.

Essas medidas, articuladas de forma contínua e integrada, formam a base para reduzir a incidência da doença e ampliar o diagnóstico precoce no país.

Além disso, o Ministério da Saúde é apontado como responsável pora liderar uma política nacional permanente de detecção e prevenção, que não dependa de governos específicos — nos moldes do bem-sucedido programa de combate ao tabaco.

O estudo também destaca que o câncer colorretal é mais frequente em pessoas entre 50 e 60 anos, reforçando a necessidade de rever a idade de início do rastreamento, e ressalta desigualdades regionais no acesso ao tratamento, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte.

Fonte: Fundação do Câncer / Ministério da Saúde

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar