Estudo alerta para risco de câncer de esôfago associado ao consumo de bebidas muito quentes

Pesquisa reforça recomendação de evitar café e chá logo após o preparo para reduzir danos à mucosa esofágica.

Foto: Shutterstock.

Um estudo publicado no British Journal of Cancer apontou que consumir bebidas “muito quentes” pode elevar significativamente o risco de câncer de esôfago. A análise utilizou dados do UK Biobank e acompanhou quase 455 mil pessoas por mais de 11 anos, avaliando quantidade e temperatura de café e chá ingeridos diariamente.

Durante o monitoramento, foram identificados 710 casos de adenocarcinoma e 242 de carcinoma de células escamosas. O consumo moderado não mostrou relação com adenocarcinoma, porém o risco de carcinoma escamoso aumentou especialmente entre quem ingeria mais de quatro xícaras de líquidos muito quentes por dia.

O estudo destacou que a ingestão frequente de bebidas fumegantes dobra o risco da doença, podendo chegar a cinco vezes mais entre quem ultrapassa oito xícaras diárias. O motivo é a lesão térmica repetida no esôfago, que causa inflamação e favorece mutações celulares, conforme explica a oncologista Ludmila Koch, do Hospital Israelita Albert Einstein.

A associação entre temperatura elevada e câncer já era reconhecida desde 2016, quando a IARC/OMS classificou bebidas acima de 65°C como “provavelmente carcinogênicas”. A recomendação é aguardar o líquido esfriar, mantendo a temperatura entre 60°C e 65°C, ou simplesmente evitar o consumo logo após o preparo.

A orientação ganha relevância no Brasil, onde o consumo de café é alto e o chimarrão — frequentemente ingerido muito quente — já foi associado ao mesmo risco em estudos regionais.

Além da temperatura das bebidas, outros fatores aumentam a chance de câncer de esôfago, como tabagismo, álcool, obesidade, refluxo gastroesofágico e dieta pobre em frutas e vegetais. No país, a doença é o sexto tumor mais frequente entre homens e o 15º entre mulheres, segundo o INCA.

Mesmo com o alerta, especialistas reforçam que café e chá podem continuar fazendo parte da rotina, desde que consumidos em temperatura moderada.

Fonte: British Journal of Cancer / UK Biobank / IARC-OMS / INCA / Hospital Israelita Albert Einstein

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