Unicef alerta: 417 milhões de crianças sofrem privações severas; relatório aponta ações que governos podem adotar para reduzir índices

Estudo global revela pobreza multidimensional em educação, saúde, moradia, nutrição, água e saneamento, e destaca políticas públicas capazes de transformar o cenário nos países de baixa e média renda.

Foto: Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil.

O Unicef divulgou nesta quinta-feira (20), Dia Mundial da Criança, um relatório que revela que 417 milhões de crianças em países de baixa e média renda enfrentam privações severas em pelo menos duas áreas essenciais — como educação, saúde, moradia, nutrição, saneamento e água. Desse total, 118 milhões sofrem três ou mais privações e 17 milhões convivem com quatro ou mais, situação que compromete gravemente saúde, desenvolvimento e sobrevivência.

Apesar da gravidade, o estudo mostra algum avanço: a proporção de crianças vivendo com privações severas caiu de 51% em 2013 para 41% em 2023, resultado de políticas públicas que priorizaram os direitos da infância. Ainda assim, regiões como África Subsaariana e Sul da Ásia seguem com os piores índices — no Chade, 64% das crianças enfrentam múltiplas privações. A falta de saneamento continua sendo um problema crítico, afetando 65% das crianças em países de baixa renda.

O relatório aponta também que 19% das crianças no mundo vivem em pobreza monetária extrema, com menos de US$ 3 por dia, enquanto países ricos registram 50 milhões de crianças em pobreza relativa, com aumentos recentes na França, Suíça e Reino Unido. A Eslovênia, por outro lado, reduziu a pobreza infantil graças a políticas robustas de benefícios e salário mínimo.

Para enfrentar o problema em escala global, o Unicef destaca medidas eficazes já testadas em diversos países. Entre elas estão a ampliação de programas de transferência de renda — como na Tanzânia, que reduziu a pobreza infantil em 46 pontos percentuais — e investimentos em saneamento, água potável e moradia, estratégia que impulsionou grandes avanços em Bangladesh.

Garantir acesso universal à educação e à saúde, fortalecer políticas de nutrição infantil, assegurar emprego e salário digno para famílias e ampliar investimentos em contextos humanitários e regiões vulneráveis são ações consideradas fundamentais para romper ciclos de pobreza. O Unicef também enfatiza a necessidade de combater desigualdades regionais, com políticas focadas em áreas rurais e periferias urbanas.

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, reforça que “investir nas crianças é investir em um mundo mais saudável e pacífico”, alertando que cortes na assistência internacional podem agravar ainda mais o quadro da pobreza extrema infantil.

Fonte: Unicef

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