Baixa escolaridade e desigualdade empurram jovens para o crime, aponta estudo Data Favela

Pesquisa Data Favela com quase 4 mil pessoas no tráfico revela falta de educação, renda, saúde mental e oportunidades — e indica caminhos para mudar essa realidade.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Um levantamento nacional do Instituto Data Favela revela que apenas 2 em cada 10 pessoas envolvidas com o tráfico concluíram o ensino médio. Entre 3.954 entrevistados em favelas de 23 estados, mais da metade interrompeu os estudos antes dessa etapa: 22% concluíram o ensino médio, 16% deixaram incompleto, 13% têm fundamental completo, 35% fundamental incompleto e 7% não possuem instrução. A falta de escolaridade aparece como fator central do ingresso no crime, reforçada por pobreza, depressão, ausência de oportunidades e estruturas familiares fragilizadas. Para 41% dos entrevistados, estudar mais teria mudado seu destino, e cursos como Direito, Administração, Medicina/Enfermagem e Engenharia/Arquitetura estão entre os mais desejados.

O estudo aponta que prevenir o recrutamento juvenil pelo tráfico exige ações coordenadas. O primeiro eixo é a permanência escolar, com ampliação de bolsas, alimentação reforçada, transporte gratuito, tutorias comunitárias, atividades de contraturno e busca ativa de alunos evadidos. Em seguida, a criação de portas reais de entrada no mercado de trabalho, com cursos profissionalizantes gratuitos, expansão de estágios e aprendizagem remunerada, além de incentivos fiscais para empresas que contratem jovens de favelas.

A saúde mental nas periferias surge como outro ponto crítico, demandando mais CAPS, equipes de saúde da família fortalecidas e atendimento psicológico gratuito em escolas e centros comunitários, com programas específicos para ansiedade, depressão e dependência química. O apoio direto às famílias vulneráveis também é considerado essencial, por meio de assistência social reforçada e criação de espaços de convivência que reduzam a exposição dos jovens ao ambiente criminal.

A geração de renda aparece como alternativa ao tráfico, com ampliação de programas de transferência de renda ligados à educação, microcrédito para empreendedores locais e projetos de inclusão produtiva voltados à tecnologia, logística e economia criativa. O estudo ainda reforça a necessidade de enfrentar desigualdades estruturais por meio de habitação digna, saneamento, iluminação, mobilidade e segurança comunitária, além de garantir representatividade das favelas na formulação de políticas públicas.

A conclusão é direta: só uma abordagem integrada, combinando educação, renda, saúde, apoio familiar e infraestrutura, pode oferecer caminhos reais aos jovens e reduzir o espaço do tráfico nas periferias.

Fonte: Instituto Data Favela

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