Os Correios, enfreta uma das piores crises econômicas de sua história, avançam na elaboração de um novo Programa de Demissão Incentivada (PDI) que prevê o desligamento de cerca de 10 mil funcionários. A medida é tratada como indispensável para reduzir em aproximadamente R$ 2 bilhões as despesas anuais com pessoal. No entanto, o programa só poderá ser executado se a estatal obtiver R$ 10 bilhões em empréstimos nas próximas duas semanas para impedir um colapso no caixa.
A direção da empresa corre contra o tempo para concluir, até o final de novembro, uma operação de crédito com garantia da União. A intenção inicial era captar R$ 20 bilhões, mas os juros elevados exigidos pelos bancos na primeira rodada de negociação forçaram a busca por uma alternativa mais viável. Agora, cerca de dez instituições — incluindo bancos de menor porte — foram chamadas para uma nova negociação, com limite máximo de 120% do CDI, valor autorizado pelo Comitê de Garantias da União.
A urgência da reestruturação é explicada pelos números: os Correios acumulam R$ 4,3 bilhões de prejuízo em 2025, com perdas mensais estimadas em R$ 750 milhões. Só no segundo trimestre deste ano, o déficit chegou a R$ 2,6 bilhões, quase cinco vezes mais que no mesmo período de 2024. A falta de recursos já gera atrasos nos pagamentos a fornecedores e afetou o desempenho operacional — apenas 92% das encomendas chegam dentro do prazo, abaixo dos 95% exigidos em contratos com grandes empresas, especialmente do e-commerce.
A empresa também enfrenta pressão por conta de um financiamento anterior, no valor de R$ 1,8 bilhão, firmado com BTG Pactual, ABC Brasil e Citibank. O contrato sofreu aumento progressivo de juros após o descumprimento de uma cláusula sobre o estoque de precatórios: de 3% para 4% em outubro e 5% em novembro, enquanto não houver novo aporte ou garantia federal.
Para fortalecer a transparência do processo, o plano de reestruturação foi enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), que acompanhará todas as etapas. O novo empréstimo é visto como essencial para sanar dívidas, recompor o fluxo de caixa e viabilizar mudanças estruturais, incluindo o PDI ampliado.
A estatal avalia que somente com um ajuste financeiro profundo será possível retomar a eficiência operacional, melhorar a pontualidade nas entregas e recuperar a confiança de clientes, evitando que a crise avance para um cenário ainda mais crítico.
Fonte: Jornal O Globo
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