Bahia lidera piores índices de alfabetização no país e governo aposta em novos programas para reverter cenário

Estado registra 64,04% de crianças não alfabetizadas e intensifica apoio técnico e pedagógico aos municípios para melhorar resultados até 2030.

Foto: Shutterstock.

Não tem o que comemorar no Dia Nacional da Alfabetização, celebrado nesta sexta-feira (14). A Bahia apresentou o pior índice de alfabetização da rede pública no Brasil, com 64,04% das crianças do 2º ano do fundamental ainda não alfabetizadas — um total de 66.645 alunos, segundo dados do Indicador Criança Alfabetizada divulgados. O número é superior ao registrado em 2023 (63,22%) e mostra que a meta estadual para 2024, que era alfabetizar 42,80% das crianças, não foi alcançada.

Para 2025, o objetivo é alfabetizar 49,73% dos estudantes, com perspectiva de atingir 80% até 2030. Especialistas apontam que o baixo desempenho está relacionado à falta de estrutura técnica e financeira dos municípios e ao atraso da Bahia em consolidar uma política de colaboração entre governo estadual e prefeituras.

O Todos Pela Educação destaca a importância do apoio estadual na formação docente, na oferta de materiais pedagógicos, na realização de avaliações constantes e no acompanhamento do processo de aprendizagem. Segundo a entidade, a ausência de uma política integrada dificulta a evolução dos resultados.

O Governo da Bahia afirma estar ampliando ações por meio do Programa Bahia Alfabetizada, criado pela Lei nº 25.668/2025. O programa prevê formação de professores, apoio às secretarias municipais, entrega de material didático, acompanhamento técnico, realização de avaliações e construção de creches e unidades escolares.

Enquanto a Bahia piorou seus índices, na outra ponta o Ceará mantém a melhor taxa do país, com apenas 14,69% de crianças não alfabetizadas, resultado atribuído a políticas de longo prazo e colaboração contínua entre estado e municípios.

Profissionais reforçam que o processo deve começar ainda na educação infantil, com estímulo à oralidade, contato com livros e acompanhamento individualizado do ritmo de aprendizagem de cada criança.

Principais percentuais de crianças não alfabetizadas pelos Estados do Brasil em 2024: Bahia (64,04%), Sergipe (61,61%), Rio Grande do Norte (60,71%), Rio Grande do Sul (55,24%), Amapá (53,38%), Pará (51,80%) — melhor índice: Ceará (14,69%). (Roraima não participou da avaliação.)

Fontes: Indicador Criança Alfabetizada / Todos Pela Educação / Secretaria de Educação da Bahia

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