Lucro do Banco do Brasil cai 60% e acende alerta sobre inadimplência e crédito no país

Resultado é afetado por novas regras contábeis, aumento dos calotes e redução na distribuição de dividendos.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

O Banco do Brasil (BB) contabilizou uma queda expressiva de 60,2% no lucro líquido ajustado do terceiro trimestre de 2025, pressionado pela alta inadimplência e pelas novas regras contábeis estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Entre julho e setembro, o lucro foi de R$ 3,785 bilhões, resultado bem inferior ao obtido no mesmo período de 2024.

Nos primeiros 9 meses de 2025, o banco acumulou R$ 14,943 bilhões de lucro, uma redução de 47,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. O desempenho contrasta com o lucro recorde de R$ 37,9 bilhões alcançado em 2024 e evidencia um cenário de desaceleração e pressão sobre o sistema financeiro nacional.

O índice de inadimplência do banco — referente a atrasos acima de 90 dias — subiu para 4,93%, contra 4,21% no ano anterior e 3,33% em 2023. O aumento foi impulsionado principalmente pelas operações do agronegócio e pela linha de cartões de crédito, segmentos que representam uma parte relevante da carteira de crédito da instituição.

A queda no lucro do BB acende um sinal de alerta econômico. A necessidade de reforçar as provisões contra perdas pode levar a uma restrição na oferta de crédito, afetando tanto empresas quanto consumidores e dificultando o acesso a financiamentos. Esse movimento tende a frear o consumo e os investimentos, com reflexos negativos na economia.

O resultado também tem impactos diretos sobre investidores e o governo federal, principal acionista do banco. Com a diminuição dos lucros, o pagamento de dividendos foi reduzido, o que afeta acionistas minoritários, que obtêm menor retorno, e o Orçamento da União, que passa a contar com menos recursos oriundos da instituição.

Diante do cenário preocupante, o BB revisou suas projeções de lucro (guidance) para o ano, aumentando a incerteza entre investidores e reduzindo a confiança do mercado financeiro nas perspectivas de crescimento do banco e da economia brasileira. Embora as novas regras contábeis reforcem a transparência e a solidez do sistema financeiro, elas também diminuíram os lucros de curto prazo, provocando volatilidade nas ações do banco.

Em resumo, o desempenho do Banco do Brasil traduz as pressões econômicas atuais, marcadas por juros altos, inadimplência crescente e menor rentabilidade do crédito, fatores que contribuem para um ambiente de cautela e desaceleração econômica no país.

Fonte: Banco do Brasil


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