Américas perdem status de região livre do sarampo após aumento de casos e queda na vacinação

OPAS alerta para risco de novos surtos na região; Brasil mantém certificado, mas segue em estado de alerta com 34 casos confirmados em 2025.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

As Américas perderam o status de região livre da transmissão endêmica do sarampo, conforme informou a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) na terça-feira (11). A decisão foi tomada após a constatação da circulação sustentada do vírus por mais de 12 meses no Canadá e o aumento expressivo de surtos ativos em países como Brasil, México, Estados Unidos, Bolívia, Paraguai e Belize.

De acordo com dados da OPAS, 12.596 casos de sarampo foram registrados até 7 de novembro de 2025 em dez países das Américas, um aumento de 30 vezes em relação a 2024. A doença já provocou 28 mortes, sendo 23 no México, 3 nos Estados Unidos e 2 no Canadá. Atualmente, sete países enfrentam surtos ativos, incluindo o Brasil.

Os números revelam que 89% dos infectados não estavam vacinados ou tinham situação vacinal desconhecida, e crianças menores de 1 ano são as mais atingidas. O sarampo é altamente contagioso — uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 outras pessoas.

O Brasil, apesar de manter o certificado de país livre do sarampo, reconquistado em 2024, continua em estado de alerta. Até o momento, 34 casos foram confirmados em 2025, distribuídos entre o Distrito Federal (1), Rio de Janeiro (2), São Paulo (1), Rio Grande do Sul (1), Tocantins (25), Maranhão (1) e Mato Grosso (3).

O surto mais preocupante foi registrado em Campos Lindos (TO), onde o vírus foi introduzido por quatro pessoas vindas da Bolívia, resultando em 18 contágios locais.

A OPAS apontou que a queda na cobertura vacinal é o principal fator por trás do avanço da doença. A meta mínima de 95% de imunização necessária para garantir a imunidade coletiva não foi atingida — no Brasil, a cobertura da segunda dose da vacina está em torno de 80%.

Entre os fatores que contribuem para o agravamento do cenário, estão a falta de campanhas regulares, escassez pontual de doses e a alta mobilidade populacional, que facilita a disseminação do vírus entre países com baixa imunização.

A perda do status de eliminação é considerada um retrocesso histórico para a saúde pública nas Américas e representa um risco elevado de novos surtos. Diante disso, a OPAS fez um apelo aos governos para reforçar as campanhas de vacinação, intensificar a vigilância epidemiológica e garantir o acesso universal às vacinas.

Fonte: Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)

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