Servidores Públicos de Guanambi paralisam atividades por 24h e cobram cumprimento de acordos da Prefeitura

Servidores públicos de Guanambi cruzam os braços por 24 horas e exigem que a Prefeitura cumpra acordos firmados sobre reajuste salarial e direitos trabalhistas.

Nesta terça-feira (04), servidores públicos municipais de Guanambi realizaram uma paralisação de 24 horas para reivindicar o cumprimento de acordos firmados com a Prefeitura. O movimento, liderado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Guanambi e Região (SISPUMUR) e com apoio da Federação dos Trabalhadores Públicos Municipais da Bahia (Fetrameb), contou com concentração na sessão ordinária na Câmara de Vereadores pela manhã e um ato programado para a tarde, em frente à sede da Prefeitura.

De acordo com o presidente da Fetrameb, Raimundo Calixto, a paralisação tem caráter de protesto e busca pressionar o Executivo a cumprir compromissos já assumidos.

“A categoria não está pedindo nada de novo. Queremos apenas que a Prefeitura cumpra o que foi acordado. Já houve reuniões, mesas de negociação, mas os acordos não vêm sendo respeitados. O reajuste, que é apenas a recomposição inflacionária de 2023, deveria ter sido aplicado em janeiro e até agora não foi. Além disso, a gestão está retirando direitos garantidos há anos”, afirmou Calixto.

Durante a manhã, representantes do movimento entregaram aos vereadores um documento com os principais pontos da pauta e pediram apoio político para intermediar o diálogo com o prefeito.

“Todos os vereadores que se manifestaram demonstraram sensibilidade e apoio à luta dos servidores. A Câmara estava lotada, e esperamos que essa união resulte numa solução definitiva”, acrescentou Calixto.

O assessor jurídico do SISPUMUR, Rafael Bonfim, explicou que as reivindicações têm base legal e constitucional. “O servidor não está pedindo aumento. Está pedindo o reajuste inflacionário, garantido no artigo 37 da Constituição Federal, e previsto no Estatuto e no Plano de Cargos e Salários do Município. Além disso, há pendências no pagamento de avanços, adicionais por titulação e outras garantias previstas em lei”, destacou.

Rafael também comentou sobre a polêmica em torno do adicional noturno, que vem sendo reduzido pela administração municipal. “De fato, houve um erro histórico no cálculo do adicional noturno. Mas o que a Prefeitura fez foi retirar o benefício de forma abrupta, sem diálogo e sem tempo para o servidor se reorganizar financeiramente. Muitos recebem dessa forma há 20, 30 anos. Não se pode simplesmente cortar da noite para o dia”, explicou.

Outro ponto levantado foi a recente licitação de R$ 57 milhões para contratação de mão de obra terceirizada. Segundo o assessor jurídico, esse movimento contradiz o discurso de contenção de despesas. “Como a Prefeitura diz não ter recursos para pagar o reajuste dos servidores, mas lança uma licitação milionária para contratar terceirizados? Isso precisa ser esclarecido para a população”, afirmou Bonfim.

A categoria mantém disposição para o diálogo e espera que a Prefeitura se posicione ainda nesta quinta-feira, evitando que a paralisação se transforme em greve geral.

“O servidor não quer prejudicar a população. Ele quer respeito aos seus direitos. Um servidor valorizado é sinônimo de uma população bem atendida”, concluiu Rafael Bonfim.

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