Mamografias pelo SUS atendem menos de 40% das mulheres na faixa etária recomendada

Baixa cobertura de exames compromete o diagnóstico precoce do câncer de mama e expõe desigualdades regionais no acesso ao rastreamento.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil.

O Sistema Único de Saúde (SUS) realizou, entre janeiro e agosto de 2025, mamografias suficientes para atender apenas 20% das mulheres de 50 a 69 anos, faixa etária recomendada para o rastreamento do câncer de mama. Em 2024, o índice foi de 37%, segundo levantamento da Lifeshub, startup de inteligência de dados, com base em informações do Siscan (Sistema de Informações do Câncer), IBGE e ANS.

A razão de mamografias compara o número de exames realizados com metade da população feminina nessa faixa etária, já que o rastreamento deve ocorrer a cada dois anos. O ideal seria alcançar 100%, mas a cobertura nacional segue bem abaixo.

Os piores índices foram registrados na Região Norte, com Roraima (5%), Tocantins (8%) e Pará (9%). Já o Sul e o Sudeste tiveram melhor desempenho, com estados como Paraná, Santa Catarina e São Paulo superando 50% da cobertura.

Em 2024, o SUS realizou 3,9 milhões de mamografias, com 3.305 mamógrafos em funcionamento no país. Ainda assim, a cobertura populacional efetiva foi de apenas 14% das mulheres do público-alvo, segundo a pesquisa.

A diferença entre regiões e entre usuárias do SUS e de planos de saúde também é significativa: entre beneficiárias de planos, 73% realizaram o exame em 2024, enquanto no SUS a taxa foi de 37%.

Especialistas alertam que o baixo alcance do rastreamento contribui para diagnósticos tardios, que representam 40% dos casos detectados em estágios avançados ou metastáticos, conforme dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer).

De acordo com Maira Caleffi, fundadora da Femama, fatores como dificuldade de acesso, horários incompatíveis e barreiras culturais dificultam o exame preventivo. Ela defende um programa nacional estruturado, com busca ativa e integração digital, que convoque as mulheres e envie resultados diretamente aos postos de saúde.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) também destaca a necessidade de um sistema de rastreio organizado, que monitore intervalos e emita alertas para pacientes em atraso, o que poderia reduzir a mortalidade pela doença no país.

Em resposta, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação da faixa etária para rastreamento, incluindo mulheres de 40 a 74 anos, mesmo sem sintomas, e a expansão do acesso à mamografia pelo SUS.

Link: https://www.bahianoticias.com.br/folha/noticia/363197-mamografias-pelo-sus-alcancam-menos-de-40-das-mulheres-de-50-a-69-anos

Fontes: Ministério da Saúde / Inca / Lifeshub / Femama / Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica / Agência Brasil.

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