Vacina contra meningite tipo B pode ser incluída no SUS: Ministério da Saúde abre consulta pública

Vacina contra meningite tipo B pode ser incorporada ao SUS; proposta está em consulta pública e visa ampliar a prevenção contra a forma mais letal da doença no país.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil.

O Ministério da Saúde iniciou nesta quinta-feira (31) uma consulta pública para avaliar a possível inclusão da vacina contra o meningococo do tipo B no Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante, atualmente disponível apenas na rede privada, protege contra a forma mais prevalente da doença meningocócica no Brasil.

A proposta foi apresentada pela farmacêutica GSK, responsável pela produção da vacina, à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A comissão é o órgão encarregado de avaliar a viabilidade e a efetividade de novos medicamentos, vacinas e tecnologias para o SUS.

Meningite meningocócica: risco alto e evolução rápida

A meningite meningocócica é uma infecção grave causada pela bactéria meningococo, transmitida por meio de gotículas de saliva e secreções respiratórias. A inflamação atinge as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo evoluir rapidamente para quadros graves e até fatais. Segundo o Ministério da Saúde, até julho de 2025, o Brasil já havia registrado 2.357 casos de meningite bacteriana, com 454 mortes.

Embora o SUS ofereça vacinas contra os sorotipos A, C, W e Y do meningococo, o sorotipo B ainda não faz parte do calendário básico de vacinação infantil. No entanto, sociedades médicas recomendam a aplicação da vacina meningo B, principalmente em bebês, que devem receber três doses: aos 3, 5 e 12 meses de idade.

De acordo com os dados do Ministério, pelo menos 138 casos confirmados foram causados pelo sorotipo B, resultando em 21 mortes. O número pode ser maior, já que a maioria dos registros não informa a sorologia da bactéria.

Custo e impacto econômico

O dossiê apresentado pela GSK estima um custo de R$ 6,1 bilhões para a incorporação da vacina ao SUS em um período de cinco anos. Em contrapartida, a farmacêutica argumenta que a medida reduziria significativamente os gastos com internações, tratamentos de casos graves e suporte a pacientes com sequelas, que ocorrem em cerca de 10% a 20% dos sobreviventes.

Como participar da consulta pública

A consulta pública ficará aberta por 20 dias no site da Conitec (https://www.gov.br/conitec). Durante esse período, cidadãos, especialistas e entidades de saúde podem enviar suas contribuições. Após esse prazo, os membros da comissão irão avaliar as manifestações recebidas e elaborar um parecer final, que decidirá se a vacina será ou não incorporada ao SUS.

A iniciativa representa um passo importante na ampliação do acesso à prevenção de uma das doenças infecciosas mais graves da infância. Mais informações podem ser acompanhadas nos canais oficiais do Ministério da Saúde e da Conitec.

Fonte: Ministério da Saúde.

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar