Um novo relatório publicado pela Comissão The Lancet sobre câncer de fígado acende um alerta global: os casos da doença devem quase dobrar até 2050, passando de 870 mil por ano, registrados em 2022, para 1,52 milhão. Apesar da projeção preocupante, especialistas afirmam que cerca de três em cada cinco casos poderiam ser evitados com medidas acessíveis, como redução do consumo de álcool, prevenção de hepatites virais e controle do peso corporal.
O estudo destaca o impacto crescente da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD), anteriormente conhecida como esteatose hepática. A forma mais grave da condição, chamada MASH, já é a causa que mais cresce entre os cânceres de fígado no mundo. Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabetes tipo 2 e sedentarismo.
Apesar do avanço da doença, muitos profissionais de saúde ainda não estão suficientemente atentos aos sinais e critérios de diagnóstico da MASLD. “Precisamos incluir o fígado nos exames de rotina de pacientes com obesidade e diabetes”, alerta o Dr. Hashem B. El-Serag, um dos autores do relatório.
Outro ponto crítico do estudo é o papel do álcool, apontado como a segunda causa de câncer hepático que mais cresce, especialmente nas Américas, onde o consumo pode aumentar até 38% até 2030. Diante disso, a Comissão defende políticas públicas urgentes, como rótulos de advertência em bebidas alcoólicas e restrições à publicidade.
As hepatites virais ainda lideram entre as causas do câncer de fígado, mas com tendência de queda graças a medidas como vacinação contra a hepatite B e o tratamento eficaz da hepatite C.
A boa notícia é que, com estratégias eficazes de prevenção, o mundo pode evitar até 17 milhões de casos da doença até 2050, potencialmente salvando 15 milhões de vidas.
“Diferente de outros tipos de câncer, o de fígado tem fatores de risco bem definidos. Isso torna a prevenção possível e urgente”, reforça a médica Valérie Paradis, coautora do estudo.
Fonte: Comunicação CFF
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