Dormir pouco aumenta risco de doenças graves, apontam Médicos

Privação de sono afeta o bem-estar, prejudica o sistema imunológico e pode levar ao desenvolvimento de doenças metabólicas e cognitivas, alertam especialistas.

Foto: Shutterstock.

Irritabilidade, falta de concentração, lapsos de memória e até queda na imunidade são apenas alguns dos efeitos imediatos de uma noite mal dormida. Mas os impactos da privação de sono vão muito além do cansaço. A longo prazo, dormir pouco pode desencadear problemas graves de saúde, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares e até distúrbios neurológicos, conforme explicam médicos especialistas.

“Isso gera um estresse dentro do organismo que ocasiona uma redução das nossas barreiras imunológicas, porque o sono é uma forma de você regenerar o corpo”, afirma o médico clínico Jailton Walace Silva.

A médica de saúde da família e comunidade Analice Lelis reforça que até mesmo uma ou duas noites mal dormidas já são suficientes para causar sintomas leves como irritabilidade, dificuldade de foco e queda de desempenho. No entanto, quando essa rotina se torna constante, os efeitos se acumulam e os riscos à saúde se agravam.

Entre os principais problemas associados à privação crônica de sono estão:

- Imunidade baixa (queda de até 70%) e maior risco de infecções e câncer;

- Alterações metabólicas, como resistência à insulina, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares;

Déficits cognitivos permanentes, afetando memória, concentração e aprendizado;

Risco aumentado de depressão, ansiedade, dores crônicas, Alzheimer e demência;

Doenças ósseas, como osteoporose;

Disfunções hormonais;

Envelhecimento precoce.

“Há situações em que a gente vai ter uma noite ou outra perdida, mas que isso não se torne rotina, haja visto que os prejuízos tendem a ser cumulativos e isso acaba gerando impactos negativos no futuro”, alerta Analice.

Quantas Horas Devemos Dormir?

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de pelo menos 8 horas de sono por noite. No entanto, segundo Jailton Walace, essa necessidade pode variar conforme o estilo de vida e o organismo de cada pessoa.

Analice complementa com as faixas etárias indicadas para um sono saudável:

- Adultos (18 a 60 anos): 7 a 9 horas por noite;

- Idosos (acima de 60 anos): 7 a 8 horas;

Adolescentes: 8 a 10 horas;

Crianças e bebês: mais de 10 horas diárias.

“O ideal é ajustar o tempo de sono considerando idade, genética, nível de estresse, doenças, demandas cognitivas ou emocionais e rotina de vida”, afirma a médica.

Sono Durante o Dia Tem o Mesmo Efeito?

Mesmo que a quantidade de horas dormidas durante o dia seja a mesma, o corpo não responde da mesma forma que ao sono noturno. Isso se deve ao ritmo circadiano, nosso “relógio biológico”, que regula as funções do corpo conforme a luz natural do ambiente.

“O sono diurno é geralmente mais curto, fragmentado e de pior qualidade do que o sono noturno, mesmo com a mesma duração total”, diz Analice. “Há também redução da vigilância, desempenho cognitivo e mais sintomas psiquiátricos em trabalhadores noturnos.”

Jailton explica que a melatonina, hormônio do sono, tem sua produção inibida pela luz natural. Sem ela, o cérebro não entra com facilidade nas fases mais profundas do sono, como o sono REM — fase essencial para a recuperação do corpo e da mente.

Além disso, hormônios como o cortisol e a insulina também sofrem alterações com o sono fora de horário. “Quando você inverte esse padrão do sono, que é o principal mecanismo de regeneração, você acaba alterando todo o ciclo hormonal também”, conclui o médico.

Fonte: Correio*


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